terça-feira, 16 de maio de 2017

FIM DO IMPOSTO SINDICAL: NEM TODOS SÃO CONTRA

Alguns sindicalistas acreditam que o fim do tributo pode melhorar a qualidade do sindicalismo brasileiro


Erick Vizoki
Em dias em que reformas diversas e profundas estão na pauta do atual governo federal, o presidente Michel Temer tem encontrado forte resistência para encaminhar sua agenda de mudanças que, segundo ele, podem modernizar o Brasil, tirar o País da recessão, desemprego e moralizar a política nacional.
O problema, no entanto, não está no Congresso Nacional, onde o chefe do Executivo já conseguiu provar que tem considerável apoio dos parlamentares e uma base aliada que, mesmo dividida, tem colaborado para a condução dessas reformas.
O problema está numa sonora oposição orquestrada pelos chamados “movimentos sociais” e entidades sindicais de trabalhadores que apoiavam e ainda apoiam o ex-mandatário Luis Inácio Lula da Silva.
A imprensa e a mídia, de um modo geral, têm divulgado o descontentamento dessa oposição popular no que tange às reformas trabalhista e previdenciária, principalmente, propostas pelo governo Temer. Essa oposição, que se manifesta em diversas frentes, tem algo em comum: a maioria está umbilicalmente ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT). CUT, MST, MTST, UNE, CMP, entre outros, além de partidos de esquerda que se recusam sequer a negociar com o que eles consideram um “governo golpista”.
Essa sufocante movimentação tem intimidado manifestações contrárias de pessoas, inclusive lideranças, que antes faziam coro com a maior parte desses movimentos.

Casos isolados

Alguns sindicalistas têm se mostrado parcialmente favoráveis à reforma trabalhista e até mesmo ao fim do imposto sindical.
Um deles é o presidente do Sindicato dos Empregados em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (Sindbast), Enilson Simões de Moura, o Alemão, que também é atual vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT). Segundo ele, “as centrais sindicais estão subservientes à CUT”.
Poucos dias antes da greve geral proposta pelas centrais sindicais, e que foi realizada no dia 28 de abril deste ano, o presidente do Sindbast publicou um artigo na página oficial da entidade na internet sob o título “Contra a greve e contra dois pesos e duas medidas” (leia o artigo na íntegra aqui). Nele, Alemão declarou-se contra a greve e a favor da reforma trabalhista. Ele também se manifesta a favor do fim do imposto sindical, uma tributação considerada polêmica principalmente pela classe trabalhadora, mas defendida por praticamente todos os sindicatos. O líder sindical ressalta que este é um posicionamento pessoal, que não é compartilhado pela UGT.
Enilson Simões, o Alemão, defende também o fim do fundo partidário. 
(Foto: ASCOM/Sindbast)
“Não é possível que ainda fiquemos à mercê de uma legislação criada nos anos 1940”, alega.
A Consolidação da Leis de Trabalho (CLT) foi criada e sancionada em 1º de maio de 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, com o intuito de regular as relações trabalhistas entre empregadores e empregados. O imposto sindical foi criado para que os sindicatos que começavam a surgir pela primeira vez no Brasil pudessem se estruturar e se organizar.
“O sindicalismo brasileiro virou uma fanfarronice. A maior parte da receita dos sindicatos advém do imposto sindical, ou seja, de dinheiro público. O trabalhador, mesmo que não seja sindicalizado, é obrigado a pagar o equivalente a um dia de trabalho todo ano ao governo, e boa parte desse dinheiro fica com os sindicatos. O trabalhador precisa ter o direito de escolher se quer contribuir com a entidade que diz representá-lo ou não”, observa Alemão.
O sindicalista não se ateve apenas a defender o fim do imposto sindical. No artigo, justificou seu posicionamento ao defender também o fim do fundo partidário, que é um montante repassado pela União aos partidos políticos. Ou seja, dinheiro público destinado a manter as atuais 35 legendas partidárias registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Paralelamente, queremos começar um movimento pelo fim do fundo partidário. Os trabalhadores e o povo em geral não devem ser obrigados a contribuir com partidos que surgem diariamente para viver, como um parasita, às custas dos nossos impostos, ou seja, recursos públicos que nós pagamos e que deveriam ir para saúde, educação, etc”, acrescentou em seu texto.
“O trabalhador não pode continuar sustentando vagabundos travestidos de políticos ou sindicalistas que em sua grande maioria atuam em causa própria”, disse à reportagem. Vale ressaltar que muitos sindicalistas acabam por seguir carreiras políticas e até fundar seus próprios partidos, como é o caso do próprio Lula, fundador do PT, e de Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, que fundou o Solidariedade (SD).

Combate ao “peleguismo”

Outro experiente dirigente sindical, Roberto Scalize, presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Empresas de Lavanderia do Estado de São Paulo (Sintralav), diz ser simpático ao posicionamento de Alemão. “Só não concordo com a aprovação da reforma trabalhista como foi aprovada na Câmara, de resto assino embaixo”.
“Acho que na verdade tem muitos dirigentes sindicais se omitindo. Tem muito dirigente que pensa diferente e que não quer se expor e ficam na zona de conforto”, acredita Scalize.
“A realidade é que a CUT, desde sua fundação, e eu fui da CUT e sei o que estou dizendo, era contra o imposto sindical”, relembra. “E eu acho que era uma posição correta. Eu, particularmente, sempre fui a favor do fim do imposto sindical. É uma coisa que tem que acabar. Porque de uma certa forma, isso atrela os sindicatos ao Estado. Ou seja, teoricamente o sindicato passa a ser uma extensão do Estado. Por isso esse famigerado imposto tem que acabar. Aí o sindicato não terá mais vinculação com o Estado, passará a ter mais liberdade, mais autonomia. E quando se tem essa liberdade, os trabalhadores passam a ter condições de aprovar ou não em assembleia da categoria, seja profissional ou patronal, a forma de sustentação do seu sindicato. Enquanto os sindicatos estiverem recebendo o imposto sindical, ele estará atrelado ao Estado, principalmente as centrais sindicais. E querem permanecer assim”, avalia.
Roberto Scalize avalia que o fim do imposto sindical não afetaria sobremaneira a atuação de sindicatos realmente comprometidos com a classe trabalhadora.
(Foto: ASCOM/Fethesp)
Roberto Scalize diz que no Sintralav o imposto sindical não chega a representar 12% da arrecadação para fazer frente ao trabalho do sindicato. “Então, não é com o imposto sindical que os sindicatos combativos exercem suas atividades”. O dirigente diz que muitas lideranças estavam numa zona de conforto. “Com as mudanças que poderão acontecer, quem realmente é dirigente vai começar a se reinventar, começar a mudar seus paradigmas. Porque o sindicalismo no Brasil é um sindicalismo arcaico por conta desse paternalismo de Estado”, explica.
O sindicalista acredita que os que defendem o imposto sindical estão defendendo os interesses do “próprio umbigo”. “O imposto sindical serve, na verdade, para sustentar sindicatos ‘pelegos’ e para atender federações, confederações, e agora as centrais sindicais que foram regulamentadas no governo Lula e passaram a receber parte do imposto sindical que, aliás, diga-se de passagem, representa quase 100% de suas arrecadações. Na outra ponta, quem faz o trabalho efetivo junto ao trabalhador, na porta da empresa, não são essas entidades, e sim o sindicato de base, cuja receita com o imposto sindical é pífio”, diz.
“Eu acho que os sindicatos têm que mostrar a que vieram”, afirma. “O verdadeiro dirigente sindical, que tem compromisso com o trabalhador, não vai deixar de existir por uma manobra parlamentar e/ou por decisão equivocada do Supremo Tribunal Federal, o sindicato pode ficar com poucos recursos. Ele pode, de repente, não ter mais como manter a estrutura que tinha, diminuir a quantidade de diretores e de funcionários na entidade sindical. Mas ele não vai deixar de fazer seu trabalho porque é nato dele ser dirigente sindical. Acho que muitos oportunistas e ‘pelegos’ vão embora e isso é bom porque separa o joio do trigo”, conclui.
“Pelego” é um termo pejorativo usado no sindicalismo para definir sindicalistas que não estão de fato comprometidos com a classe trabalhadora, e sim com interesses pessoais.

Reforma trabalhista

     “As reformas, da maneira como foram conduzidas pelo Congresso Nacional, sem discussão com a sociedade e da forma como foi aprovada a princípio no Congresso, é um acinte, um absurdo. Nós vamos retroceder para o início da Revolução Industrial. É um desmonte total de todas as conquistas históricas dos trabalhadores”, conclui o presidente do Sintralav.


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Roberto Scalize
Roberto Scalize é sindicalista desde os 14 anos de idade. Em 1967, começou a atuar no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, quando o presidente era José Ibrahim. Fez parte da fundação da CUT, foi da diretoria executiva nacional da UGT durante dois mandatos.
Atualmente é presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Empresas de Lavanderia do Estado de São Paulo (Sintralav).

Enilson Simões, o Alemão
Metalúrgico, trabalhou como inspetor de qualidade na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (SP), e em 1976 filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Chegou a ser preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional juntamente com outros membros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em 1980 filiou-se ao PMDB e no ano seguinte rompeu com a diretoria do sindicato. Na época, Alemão já questionava a liderança de Lula à frente da entidade.
Participou da fundação do Sindbast em 1986 e foi eleito seu presidente. Em 1991 tornou-se membro da direção da Força Sindical, mas em 1995 desligou-se por discordância política com a diretoria. Em 1997 participou da fundação da Social Democracia Sindical (SDS), da qual foi presidente até 2007. Nesse ano foi criada a União Geral dos Trabalhadores (UGT), a partir da unificação da SDS com a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Central Autônoma de Trabalhadores (CAT). Foi então eleito vice-presidente da nova central, onde permanece até hoje.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Karina Somaggio presta depoimento á PF em São Paulo

Ex-secretária diz que suas declarações estão sob sigilo, mas acredita que pode haver novos avanços na Lava-Jato



Karina Somaggio foi intimada pouco depois do vazamento das delações de Delcídio do Amaral, em março (Foto: Erick Vizoki)


Erick Vizoki
Fernanda Karina Somaggio, uma das principais testemunhas do escândalo do ‘Mensalão’ em 2005, prestou novo depoimento à Polícia Federal na última quinta-feira (21/07), na sede da Superintendência Regional da instituição em São Paulo. Ela foi intimada no dia 31 de março deste ano após o vazamento das delações feitas pelo ex-senador e ex-líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral, em meados daquele mês.
O depoimento, que começou às 14h, durou cerca de três horas. Segundo a ex-secretária do ex-empresário e publicitário Marcos Valério de Souza, foram feitas a ela praticamente as mesmas perguntas de onze anos atrás, quando prestou depoimento à Polícia Federal e à CPI dos Correios. Fernanda Karina disse, em off, que mesmo assim novas informações envolvendo políticos do alto escalão ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderão entrar definitivamente nos inquéritos que serão incluídos na investigação da Operação Lava-Jato. “Mas no final tive que assinar um documento de confidencialidade. Pediram para eu não falar com ninguém para não interferir nas apurações”, esclareceu. Apesar do sigilo, é possível que a ex-secretária tenha sido intimada para confirmar as declarações de Delcídio do Amaral, reforçar suas denúncias e levar novos indícios do envolvimento de Lula e aliados no escândalo do ‘Petrolão’, desdobramento do ‘Mensalão’ que culminou na Operação Lava-Jato.
Em entrevista ao Bloki do Vizog, publicada em 30 de junho, Karina afirmou que desde que entrou na SMP&B, “Petrobras, BNDES eram sempre citados em quase todas as negociatas”.
Karina foi secretária direta de Valério na agência de publicidade SMP&B e responsável pela assessoria integral da agenda do ex-patrão, além de principal interlocutora entre o publicitário e diversos políticos da cúpula do governo Lula e empresários. Ela ganhou fama nacional e internacional após denunciar, em entrevista histórica para a revista IstoÉ Dinheiro, em junho de 2005, os meandros e detalhes do maior escândalo de corrupção que se teve notícia até então no Brasil, o ‘Mensalão’.
Com as denúncias na imprensa e depoimento na CPI dos Correios, o País soube que Valério era o operador do esquema de pagamento e recebimento de altas somas em propina para diversos políticos ligados à cúpula do governo e de partidos da base governista. Eram eles o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da República (PR), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Republicano Progressista (PRP) e Partido Progressista (PP).  O episódio levou o Ministério Público a entrar com a ação penal nº 470 no Supremo Tribunal Federal. A imprensa passou a chamar o esquema de pagamento de propinas de “valerioduto”.
Desde janeiro deste ano, Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão, tenta um acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato. Mais recentemente, ele entregou ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) uma proposta de colaboração para revelar novos detalhes sobre os escândalos do mensalão do PSDB e do PT.
Em entrevista ao jornal Zero Hora, em 28 de março deste ano, Karina disse que Delcídio do Amaral reafirmou tudo o que ela havia declarado há onze anos, quando depôs na CPI dos Correios. A publicação informa, ainda, que ela “surge como potencial testemunha da Lava-Jato”.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Após onze anos, Karina Somaggio, principal testemunha do mensalão, comenta resultados da Lava-Jato

Pré-candidata a vereadora, a ex-secretária prestará novo depoimento à Polícia Federal em julho
Foto tirada durante uma vernissage, no dia 26/05/2016, dois antes da morte do gorila Harambe, em um zoológico dos EUA, em 28/05. A onça Juma foi morta por soldados do exército no dia 20/06, durante a passagem da Tocha Olímpica, em Manaus. Premonição? (Foto: Arquivo pessoal)

 Erick Vizoki
Denúncias envolvendo “pesos pesados” da política nacional, desde pequenos parlamentares até presidentes da República, além de empresários poderosos e funcionários ligados a órgãos públicos, desenham um quadro que, apesar de nefasto, revelam uma sensação de civismo que aos poucos vem seduzindo os corações do povo brasileiro. Isso porque essas denúncias têm partido justamente de onde os barões da corrupção menos esperavam: do próprio povo, pessoas comuns, trabalhadoras e principais vítimas do descaso e escárnio protagonizados pelos corruptos.
Entre esses nomes, um se destacou há onze anos ao testemunhar e citar nomes do alto escalão governista, ainda na gestão presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, no episódio que entrou para a história recente do Brasil como “Escândalo do Mensalão”.
Em 22 de junho de 2005, a revista IstoÉ Dinheiro publicou uma explosiva e histórica entrevista com Fernanda Karina Ramos Somaggio, então secretária do publicitário Marcos Valério de Souza, um dos donos da agência de publicidade SMP&B,  quando revelou um escandaloso esquema de pagamento de altos valores em propinas para diversos políticos ligados à cúpula do governo e de partidos da base governista. Eram eles o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da República (PR), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Republicano Progressista (PRP) e Partido Progressista (PP). A entrevista acabou confirmando as denúncias feitas anteriormente pelo então deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, até aquele momento sem provas concretas de suas delações.
O episódio levou o Ministério Público a entrar com a ação penal nº 470 no Supremo Tribunal Federal. A imprensa passou a chamar o esquema de pagamento de propinas de “valerioduto”. Cerca de onze anos depois, o apelido mostrou-se quase profético com a deflagração da Operação Lava-Jato, onde os dutos da maior estatal brasileira, a Petrobras, passaram a jorrar tanto dinheiro sujo para as contas de políticos e empresários quanto petróleo.
Fernanda Karina Somaggio durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as denúncias de corrupção nos Correios em 2005. (Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil)
Após as denúncias para a IstoÉ, Karina Somaggio foi chamada para depor na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos Correios, quando citou nomes, locais e quantias por cerca de 18 horas, inclusive entregando sua agenda pessoal, com inúmeras anotações de seu chefe. Na época, o Ministério Público não considerou tais provas contundentes, posição que foi revista e comprovada aos poucos durante as investigações e que finalmente culminaram em outro escândalo muito maior, que acabou ficando conhecido como “Petrolão”.
A coragem e heroísmo de Karina Somaggio colocou o Poder Judiciário em rota de colisão com as classes políticas e empresariais corruptas, o que culminou com a prisão de nomes poderosos da República, como o ex-ministro Chefe da Casa Civil do ex-presidente Lula, José Dirceu (PT), o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT) e José Genoíno e Delúbio Soares, ex-presidente e ex-tesoureiro, respectivamente, do Partido dos Trabalhadores.
Mas os holofotes sobre a ex-secretária de Marcos Valério lhe trouxeram mais problemas do que reconhecimento. Após sofrer vários processos de acusação por parte do ex-patrão, todos ganhos, Karina negou uma proposta feita pela revista Playboy, no valor de R$ 2 milhões e foi candidata a deputada federal pelo PMDB de São Paulo em 2006, quando conseguiu arrecadar cerca de 2 mil votos e não foi eleita.
Na mesma época em que seu ex-marido pediu divórcio, seu pai foi assassinado em um assalto, se viu desempregada e sofreu perseguição política. Com o psicológico abalado, foi obrigada a sair de sua cidade e recomeçar do zero, ao lado de sua família como dona de casa e dedicando-se ao ativismo animal.
No próximo mês de julho, Karina deverá prestar novo depoimento à Polícia Federal, em São Paulo, em virtude das denúncias, em delação premiada, do ex-líder do PT no senado, Delcídio do Amaral. Em entrevista ao jornal ZeroHora, em 28 de março, Karina Somaggio reafirma que “o que Delcídio fala é exatamente o que falei”. A PF a intimou no dia 31 daquele mês e, no novo depoimento, novas informações, desta vez em relação à Lava-Jato, devem surgir e ganhar a mídia.
Nesta entrevista, Karina Somaggio conta o que mudou em sua vida após as denúncias de 2005, avalia a atuação da Justiça na Operação Lava-Jato e as repercussões de sua iniciativa há onze anos que podem culminar na prisão do ex-presidente Lula e no afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff.
Ela também diz que pode ser candidata a uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional) e conta como se tornou uma dedicada ativista das causas animal, ambiental e vegana, fazendo parte, como secretária-geral, do Santuário Terra dos Bichos, no interior de São Paulo.



Karina com um dos vários animais recolhidos e tratados pelo Santuário Terra dos Bichos. (Foto: Arquivo pessoal)


Após onze anos, em outro escândalo ainda maior que o Mensalão, pela primeira vez Lula está na berlinda e pode até mesmo receber voz de prisão. Na época de sua entrevista à IstoÉ Dinheiro, você afirmou que sempre foi eleitora do PT e que fez as denúncias por patriotismo. Como você se sente agora, com o andamento e descobertas da Operação Lava-Jato?
Me sinto como qualquer outro brasileiro, decepcionada e indignada com a situação em que está nosso País. Um país extremamente rico, mas que foi roubado descaradamente por pessoas sem caráter e loucas por poder.
Fui eleitora do Lula, sim, pois vim de uma geração onde o PT e Lula eram a esperança como representantes do povo trabalhador e honesto, coisa não se concretizou diante de sua sede por poder. Como diz o velho ditado: “Dê-lhes o poder e lhes mostrarão quem são”.

Autoridades políticas, até então consideradas intocáveis, como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, entre outros, foram condenados e presos em consequência de suas denúncias. Você considera que a justiça foi ou está finalmente sendo feita?
A justiça, sim, está sendo feita, mas esta justiça tem que ser para todos, sem exceções e dura com todos os corruptos. Nosso País não aguenta mais a corrupção, seja em qual instância ela se apresente. A classe média não aguenta mais pagar a conta de regalias de pseudorrepresentantes, haja vista a qualidade dos deputados federais na ocasião da votação do impeachment. A maioria não representa o cidadão de bem que luta diariamente para pagar duplicado por educação, saúde, segurança e tudo mais. Acabou. A mão da justiça tem que ser forte, seja para quem for. Só assim, corrupto e corruptor devem ser punidos com rigor da Lei.

Recentemente, Conceição Andrade, ex-funcionária da Odebrecht, apresentou uma lista com cerca de 500 nomes de políticos e autoridades que recebiam propinas da empreiteira. Você acredita que atitudes como a dela podem ter inspiração em suas denúncias sobre o Mensalão e que podem ajudar a passar o Brasil a limpo?
Minha inspiração veio por ter sido criada em uma família de professores, onde ser íntegra e honesta é raiz forte. No caso da Conceição, espero que tenha sido por motivos tão fortes quanto os meus e não por medo de ser processada.

Há rumores de que Marcos Valério pode voltar a propor ao Judiciário uma nova delação premiada. Você acha que podem existir informações de fatos ou suspeitas, acerca do Mensalão, que ainda não foram apurados ou adequadamente apurados? Acha que passou alguma coisa? Marcos Valério poderia, realmente, ter algo mais a dizer?
Tenho certeza absoluta que o Marcos tem muitas coisas ainda a falar. Só ainda não falou porque não chegou a hora, talvez.

Dentre os diversos nomes envolvidos no escândalo do Petrolão, alguns já estavam envolvidos com o Mensalão, como o próprio José Dirceu. Você chegou a ouvir, quando ainda trabalhava para Marcos Valério, alguma menção à Petrobras?
Desde que entrei na SMP&B, Petrobras, BNDES eram sempre citados em quase todas as negociatas.

Depois das denúncias à IstoÉ Dinheiro, você praticamente virou uma celebridade instantânea, chegando até a ser sondada pela revista Playboy e tentou a carreira política. Em 2006 você se candidatou à deputada federal pelo PMDB e, em 2008, tentou a Câmara dos Vereadores de São Paulo, pelo PHS. O que você acha que deu errado nas duas tentativas? Você pensa em tentar novamente?
Quanto ao PMDB, naquela época eu estava extremamente abalada por todas as coisas que havia passado, não conhecia os meandros e os lobos de plantão da política. Fui ameaçada por alguns caciques e no meio da campanha oficial estava muito cansada e sensibilizada. Perder a eleição, naquele momento, foi uma das melhores coisas que poderiam ter acontecido naquela época. Quanto a eleição de 2008, fui convidada por amigos para me filiar ao PHS, mas devido a disputas internas do partido, resolvi não concorrer.
Hoje sou filiada ao PTN, onde sei que sou respeitada e onde posso apresentar minhas propostas abertamente e, por esse motivo, hoje sou pré-candidata a vereadora pela cidade de São Paulo. Amo esta cidade e quero vê-la pulsante novamente. Sabemos que nossa cidade está sem a administração que ela merece. Mais uma vez, nossa cidade está à mercê de pessoas que só pensam em poder e nunca na população como um todo.

Pouco tempo depois das denúncias, você passou por muitas dificuldades: se divorciou, seu pai foi assassinado em um assalto, sofreu perseguições através de ações na justiça impetradas por Marcos Valério, teve dificuldades em conseguir trabalho. Como conseguiu superar tantos problemas?
Vejo esses fatos como crescimento. Sou uma pessoa muito espiritualista, acredito que quando pulsamos Amor, recebemos Amor em troca. Para passar por tudo isso, me retirei por cinco anos em um sítio na cidade de São Roque, interior de São Paulo, para poder organizar todos os meus sentimentos e pensamentos, curar minha feridas e voltar ao que mais amo nesse mundo que é a causa animal, trabalhos de sustentabilidade ambiental e ajudar as mulheres que necessitam se reposicionarem como Mulher (em letras maiúsculas). Quando ajudamos, nós também somos ajudados e aprendemos com as dores dos outros, curamos as nossas e meu processo foi esse. Hoje sou ativista na causa da libertação animal, tentando amenizar o sofrimento de tantos animais que são explorados e maltratados diariamente. Por isso trabalho na Ong Santuário Terra dos Bichos, instituição que acolhe cerca de 500 animais vítimas de maus tratos e exploração. Um trabalho lindo que é feito por mulheres guerreiras. Juntos podemos mudar a realidade de nossa cidade, é só querermos. Isso é amadurecimento polítco.

Mesmo com uma formação que inclui ter morado no exterior, você teve dificuldades em encontrar um novo emprego. Você credita essa dificuldade à sua postura em relação à corrupção? Acha que por causa das denúncias as pessoas perderam a confiança em você?
Como as pessoas podem perder a confiança sendo que não me conhecem?
Acho sim, que houve um preconceito, mas isso é coisa do passado, sei que tenho qualificações administrativas que poucos possuem, isso me basta. Se existem pessoas que preferiram não me dar uma chance por esse motivo, é porque também não são confiáveis. Julgamos os outros pelo o que somos, simples assim.

A indignação dos brasileiros em relação à corrupção assumiu, nos últimos meses, proporções nunca antes vistas no País, graças a investigações como os escândalos do Mensalão e Petrolão, com mobilizações que chegam a ser maiores que as Diretas Já, de 1985, e os Caras Pintadas, de 1992, por parte da população. Como você vê isso? Pode caracterizar um amadurecimento do eleitorado?
Acho sinceramente que tudo veio à tona quando a economia começou a se fazer presente no nosso dia a dia, a perda do poder de compra, alta exorbitante dos juros, violência nas ruas etc. As investigações apenas mostraram que aqueles que eram idolatrados por tantos, não eram tão inocentes e nem tão honestos assim. Estopim para que todos se revoltassem. Quanto ao amadurecimento do eleitorado, espero que com as notícias tristes que são exibidas todos os dias nos noticiários, a população finalmente desperte para a política séria sem se vender para os aproveitadores de plantão.
Mas isso, só iremos ter certeza quando saírem os resoltados em outubro próximo.

O que você diria para as pessoas que sabem sobre esquemas ilícitos em seus locais de trabalho, comunidades ou grupos sociais e têm vontade de denunciar, mas não se sentem seguras? Vale a pena?
Sempre vale a pena, não existe nada melhor do que deitar e ter a consciência em paz.
Precisamos sempre denunciar a corrupção, ela é o câncer em nosso país. É ela, a corrupção, que faz com que tantos morram nos hospitais por falta de saúde de qualidade; é ela a responsável por não podermos nos sentir seguros ao andarmos nas ruas; é a corrupção que não deixa que nossas crianças tenham uma educação de qualidade. Afinal, quem estuda sabe cobrar. Se tem educação péssima, vira massa de manobra. Corrupção é isso: jogar todos os nossos direitos no ralo.
Brasileiro é povo batalhador não tem medo de trabalhar, temos tudo para fazer um país melhor, falo mais uma vez.
Se você sabe onde existe corrupção, denuncie. E se não denuncia, vira cúmplice dessa corrupção.
Servidor público é para servir a população e não para extorqui-la.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Karina Somaggio é intimada pela PF e deve contribuir com Lava-Jato

Ex-secretária de Marcos Valério denunciou o escândalo do ‘mensalão’ em 2005

Fernanda Karina Somaggio durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as denúncias de corrupção nos Correios em 2005. (Foto: Valter Campanato/Agencia Brasil)


Erick Vizoki
Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério de Souza, deverá voltar a ser destaque na mídia. Ela prestará novo depoimento à Polícia Federal, no próximo dia 21 de julho, na sede da Superintendência Regional da instituição em São Paulo. Ela recebeu a intimação no final de março deste ano. É possível que a ex-funcionária de Valério tenha novas informações que ainda não vieram à tona. A intimação pode ser devido aos recentes desdobramentos na Lava Jato e à delação do ex-líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral, ocorrida em fevereiro, mas que vazou para a imprensa em março.
Em entrevista ao jornal Zero Hora no mesmo mês, Karina afirmou que o ex-senador reafirmou tudo o que ela havia dito onze anos atrás. A publicação informa, ainda, que ela “surge como potencial testemunha da Lava-Jato”. 
Há exatos onze anos Karina Somaggio ganhou fama nacional e internacional após denunciar, em entrevista histórica para a revista IstoÉ Dinheiro, em junho de 2005, os meandros e detalhes do maior escândalo de corrupção que se teve notícia até então no Brasil, o ‘Mensalão’. Na época, Karina era secretária direta de Marcos Valério na agência de publicidade SMP&B e responsável pela assessoria integral da agenda do ex-patrão, além de principal interlocutora entre o publicitário e diversos políticos do alto escalão do governo Lula e empresários. 
Com as denúncias na imprensa e depoimento na CPI dos Correios, o País soube que Valério era o operador do esquema de pagamento e recebimento de altas somas em propina para diversos políticos ligados à cúpula do governo e de partidos da base governista. Eram eles o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Popular Socialista (PPS), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido da República (PR), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Republicano Progressista (PRP) e Partido Progressista (PP).  O episódio levou o Ministério Público a entrar com a ação penal nº 470 no Supremo Tribunal Federal. A imprensa passou a chamar o esquema de pagamento de propinas de “valerioduto”. 
Desde janeiro deste ano, Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão, tenta um acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato. Mais recentemente, ele entregou ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) uma proposta de colaboração para revelar novos detalhes sobre os escândalos do mensalão do PSDB e do PT. 
Karina Somaggio é atualmente pré-candidata a vereadora em São Paulo pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN).

sexta-feira, 13 de maio de 2016

UM TEXTÃO BEM EXPLICADINHO, NOS SEUS MÍÍÍÍNIMOS DETALHES!




Erick Vizoki
Uma amiga do Facebook me perguntou por que não falo nada sobre a decisão do ministro Gilmar Mendes em suspender, no dia 12/05 (quinta-feira, posse de Michel Temer e de seus ministros) as diligências em inquérito contra Aécio Neves, quando critiquei as manifestações do MST (um dos tentáculos petistas nos movimentos sociais) na praça de pedágio em Laranjeiras do Sul, no Paraná, quando bloqueou a rodovia BR-227 por dois dias (ver vídeo acima). “Aguardo ansiosamente seu textão sobre a suspensão da coleta de provas na investigação sobre o Aécio e termos pelo menos 11 ministros com ocorrências judiciais (Fonte: AgênciaLupa) e a extinção do CGU”, disse ela.
Pois bem, aqui está.
Primeiro, as manifestações contra a extinção da ControladoriaGeral da União, órgão responsável pela transparência, fiscalização e combate á corrupção, aconteceram isoladamente, no Distrito Federal, sem atrapalhar ninguém. A extinção do órgão só interessa a administrações corruptas.
Sobre os ministros de Temer com pendengas judiciais, todos nós sabemos que não só boa parte de seus novos ministros, mas a maioria do Congresso, entre deputados e senadores, incluindo as duas comissões do impeachment, tem contas a acertar com o Judiciário. Só falta você me dizer que os ministros de Dilma e de Lula eram todos santos e honestos. É o velho e ineficiente argumento de “eles também fizeram, então nós também temos o direito de fazer”.
Mas os ministros de Temer assumiram ontem (12/05/2016). Primeiro temos que esperar eles serem acusados e presos, como os ministros petistas, ok?
Quanto a suspensão das diligências sobre Aécio Neves e as suspeitas de recebimento de propina de Furnas, eu também fiquei indignado. Se há alguma suspeita sobre qualquer ator político, seja da agora situação, ou da agora oposição, deve ser investigada e os culpados, punidos.

“Nós e eles”

A diferença entre petistas e não petistas (os tais “nós e eles”, segundo a lógica lulopetista), é que não petistas não são fanáticos e conseguem enxergar além das cortinas vermelhas estendidas pelo PT entre sua militância e o resto do País. Como eu já havia comentado em minha página no Facebook, o PT conseguiu uma façanha inédita na história recente da República Democrática do Brasil: dividi-la em duas, a República Petista e a República Brasileira.
Não é porque não gosto e nunca gostei do PT que defenderei qualquer outro político corrupto, seja de qual partido for. Mas Aécio não é presidente do Brasil e não é ele que está sendo julgado em processo de impeachment. Além disso, nenhum não petista, ou até mesmo "coxinhas", saíram às ruas arrebentando tudo, bloqueando avenidas e estradas, ateando fogo em pneus e lixeiras, agredindo jornalistas, invadindo e depredando estabelecimentos comerciais e agências bancárias cada vez que o presidente do PSDB ou qualquer outro ex-oposicionista é acusado de alguma coisa.
Repito: se ele é acusado, deve ser investigado e, se condenado, punido!!! É assim que a Justiça tem que funcionar. Mas para os petistas, não. Qualquer sombra de suspeita contra eles é injustiça, perseguição política, é golpe. E aí saem espancando outros cidadãos e trabalhadores, numa clara intenção de dividir o País, o que pode caminhar para uma estúpida guerra civil. E todos sabemos que dividir é tática de guerra e de guerrilha. A divisão enfraquece o inimigo. No caso, o suposto inimigo são todos aqueles que discordam dos ideais lulopetistas, ou seja, a maioria do povo brasileiro.
A verdade é que ninguém quer tanto uma ditadura e repressão quanto o PT e a esquerda, pois reside aí sua zona de conforto.
Em um País calmo e equilibrado não há motivos para arruaça, para contestar, reclamar de repressão e perseguição, portanto não há como reivindicar a derrubada de quem está no poder e exigir para si essa posição.
A esquerda e o PT procuram, a todo custo, criar e incentivar um ambiente de constante guerrilha com a claríssima intenção de se colocarem na condição de vítimas e perseguidos. Na falta de argumento melhor, agora dizem repetida e enfadonhamente que estão sendo vítimas de golpe, acreditando (e é o que vai acontecer) que seu argumento entrará para a história. Nos livros que serão exigidos futuramente nas escolas, o termo surgirá para justificar a queda do PT em 2016 e que foram vítimas de repressão e perseguição. É o mesmo que acontece atualmente e há décadas, quando se ensina sobre os regimes socialistas implantados pelo mundo, sobre a extinta e fracassada União Soviética e seus “mártires” como Che Guevara.

Contrassenso

O senador Humberto Costa (PT-PE), ao votar no Senado contra a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, no dia 11/05, disse que o PT não terá complacência com um governo golpista. Podemos concluir que sua afirmação é uma ameaça á ordem pública e á tentativa de recuperar o País economicamente. Disse também que não irá tolerar que se mexa em direitos dos trabalhadores e benefícios sociais. É, no mínimo, um contrassenso e o suprassumo da falácia, uma vez que a própria Dilma mentiu (e tossiu) quanto a isso em sua campanha em 2014 e mexeu em direitos sagrados dos trabalhadores, chegando a bloquear, repentinamente, o seguro-desemprego de centenas de milhares de trabalhadores, sem nenhum aviso, e os deixou em situação bastante delicada e difícil. A alegação foi a de que muitos trabalhadores tinham seus CPF’s ligados a CNPJ’s, ou seja, mentiam para a União e que eram, na verdade empresários. Ou seja, o governo presumiu que, se um trabalhador arrisca-se em um pequeno empreendimento, ele sobreviverá tranquilamente de seu negócio, sem precisar voltar a ser empregado em alguma outra empresa. Não se levou em consideração que o tal pequeno empreendimento poderia não dar certo e o audacioso microempresário acabaria voltando, pobre como antes, ao mercado de trabalho. Isso sim, para mim, É GOLPE!!!