quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SAÚDE

Medo de dentista? A hipnodontia pode ser a solução Tratamento odontológico com hipnose ainda é pouco conhecido, mas mesmo pequenas cidades como Poço Fundo (MG) dispõem desse serviço Erick Vizoki Trabalhei algum tempo no Jornal de Poço Fundo, em Poço Fundo, região sul de Minas Gerais. É uma cidade pequena, com cerca de 16 mil habitantes e uma área de 474Km². Como toda aquela região, Poço Fundo guarda belezas naturais como montanhas e cachoeiras, um povo acolhedor e a tranquilidade que todo mundo procura. Além de todos esses atrativos, que fizeram com que eu me encantasse com o pequeno município, uma outra coisa me chamou muito a atenção: foi lá que ouvi falar pela primeira vez em hipnodontia. E conheci também a bonita e simpática Dra. Rafaella Aquino, cirurgiã dentista pioneira em usar a técnica da hipnose em tratamentos odontológicos naquela região. Comentando, dia desses, sobre hipnose numa comunidade do Orkut com uma amiga, me lembrei desse fato no mínimo curioso. Fiz contato com a redação do Jornal de Poço Fundo e pedi uma antiga matéria, publicada na época em que eu ainda trabalhava e morava lá, que explicava a novidade e trazia uma entrevista com a Dra. Rafaella. A matéria e a entrevista foram feitas pelo repórter Antônio Carlos Rod. dos Santos, que transcrevo aqui, na íntegra.
Agradeço ao Toninho e à Simone, do JPF, pela gentileza e atenção em disponibilizar essa matéria e a foto da Dra. Rafaella de seus arquivos! Parabéns pela excelente e curiosa reportagem, e contínuo sucesso à Dra. Rafaella e ao bom e (quase) velho Jornal de Poço Fundo! Hipnose ganha espaço em clínica Odontológica Poço Fundo é a única cidade da região a possuir uma Clínica Odontológica que trabalha com a Hipnodontia. A novidade gerou curiosidade e o Jornal de Poço Fundo foi conferir como funciona o tratamento, antes restrito aos grandes centros. Mesmerismo, magnetismo, hipnotismo... São muitos os nomes de uma técnica que, embora bastante conhecida, ainda é pouco compreendida. No decorrer de vários anos, a hipnose vem sendo utilizada, testada e submetida a muitas provas, para se chegar à comprovação de sua eficácia, nos vários campos da medicina, começando pela psiquiatria e agora também na odontologia. Autorizada por uma lei federal que começou com um decreto, em 1960, e transformou-se em lei em 1970, a hipnodontia é utilizada em tais clínicas para obter um maior relaxamento, para tratamento de ansiedade, anestesia e até controle de salivação e hemorragias! Antes restrita aos grandes centros, a novidade vem chamando a atenção por ter chegado com força total em Poço Fundo, e cada vez mais pacientes que buscam tratamento odontológico estão usufruindo os benefícios da técnica. O fato gerou curiosidade, principalmente nos que têm pouco conhecimento do assunto e ainda cultivam alguns preconceitos e medos com relação ao hipnotismo. Baseado em tal curiosidade, o Jornal de Poço Fundo foi procurar o único local em Poço Fundo onde se pratica a hipnodontia, a clínica odontológica Odonto Saúde, que, aliás, é também a única da região a realizar o procedimento, para conversar com a cirurgiã dentista Dra. Rafaella Aquino. A Dra. Rafaella é quem conduz os trabalhos de hipnodontia na clínica, e falou conosco sobre a chegada da novidade em Poço Fundo, além de nos fornecer alguns esclarecimentos sobre a hipnose, importantes para retirar misticismos e preconceitos quanto ao assunto. O JPF também localizou uma das pacientes da Dra Rafaella, que nos contou sua experiência. Confira, na íntegra, a entrevista com a cirurgiã dentista:
Dra. Rafaella Aquino
(Foto: Arquivo Jornal de Poço Fundo)
JPF: No que consiste a hipnose? Rafaella: Bem, a hipnose pode ser considerada um estado corriqueiro do dia-a-dia, onde a pessoa se apresenta mais receptiva a pensar de forma mais sábia - inconscientemente - ou repensar as mesmas ideias de forma nova. O transe é um estado especial de consciência, que pode ser vivenciado naturalmente ou induzido por um dentista, médico ou psicólogo. A nossa mente é dividida em duas partes: a mente consciente e a mente inconsciente. O inconsciente pode ser visto como um depósito de coisas que são mantidas na consciência, das quais podemos nos lembrar quando desejarmos. Ele é o nosso lado profundo e sensato, é criativo e inteligente, é a parte mais sensata, muito mais sensata que a sua parte inconsciente, que é restrita pelas crenças limitadoras que mantemos na consciência. JPF: O que levou você a desenvolver tal trabalho? Rafaella: Muitas pessoas comentavam comigo que estar na cadeira do dentista é algo demorado e chato. Sempre ouvia dos pacientes mais íntimos: “Nada de pessoal, mas eu odeio dentista!”. Como não podia me conformar com tal fato, busquei fazer um curso para aprender a ajudar as pessoas a se sentirem melhor quando estivessem na cadeira de um dentista. A grande maioria das pessoas que têm aprendido esse exercício comigo, quando passam pela experiência, costumam me dizer terem se sentido muito bem. JPF: Como foi sua preparação para realizar este trabalho e há quanto tempo vem fazendo? Rafaella: O trabalho com o uso da hipnose é muito sério e por isto exige muita preparação e estudo. Venho envolvendo-me neste estudo sistemático sobre a hipnose desde 2000, fazendo parte de um grupo de estudos sob a supervisão da Dra. Cláudia Maia e do Dr. Malomar, ambos de Belo Horizonte. Nos primeiros quatro meses nos dedicamos exclusivamente ao estudo da história da hipnose e da técnica de indução do transe formal; só após muito estudo e treinamento começamos o trabalho. E agora nós nos encontramos mensalmente para discutirmos os casos e continuarmos aprofundando os estudos. Em dezembro houve também o 1º Seminário Mineiro da Hipnose, onde se reuniram médicos, dentistas e psicólogos, para dividirem experiências sobre o assunto. Na oportunidade, tive o prazer de apresentar um caso e também aprender mais com as experiências dos colegas presentes, e me surpreendi como a hipnose tem ganhado cada vez mais espaço na área médica e odontológica em todo Brasil, firmando-se cada vez mais como um meio eficaz, confiável e seguro. JPF: Como o paciente é preparado para o tratamento com hipnose? Rafaella: Quando o paciente procura o consultório sabendo do uso da hipnose, na primeira consulta colhemos o maior número de dados possíveis e oferecemos as primeiras informações sobre o que é hipnose e inconsciente, e todas as dúvidas não esclarecidas. Se o paciente se sentir à vontade, podemos começar a aprender juntos os primeiros exercícios de relaxamento e ajudá-lo a se concentrar. Quando o paciente não sabe que oferecemos este tipo de tratamento, mas possui traumas e/ou fobias, é levado ao seu conhecimento a possibilidade de se sentir melhor usando a hipnose. Quando ele aceita a sugestão, partimos do mesmo princípio explicado anteriormente. JPF: Qualquer pessoa pode ser hipnotizada? Rafaella: Sim, qualquer pessoa pode ser hipnotizada, desde que deseje. Algumas apresentam maior facilidade para entrar em transe que outras. Aquelas que ainda não têm muita facilidade para entrar em transe podem desenvolver a cada nova experiência. Tudo na vida é um aprendizado e a cada vez que se repete um exercício, cada vez se aprende mais e cada vez é mais fácil repetir de novo. Assim como há crianças que aprendem ler com 3 anos, outras aprendem aos 6 anos, outras aos 7 anos, mas todas aprendem. JPF: Durante o tratamento a pessoa entra em transe? Rafaella: Tanto as pessoas mais sugestionáveis quanto aos que respondem menos a hipnose podem se beneficiar com o transe, que pode ser dividido em leve, médio e profundo. Para o objetivo que temos no consultório, o transe leve já é o suficiente para o alívio que o paciente necessita. O que a pessoa irá vivenciar durante o transe pode ser experimentado por qualquer um de nós no dia-a-dia. Como alguém que, depois de passar por um sinal luminoso, ou estar preparando algum alimento, se dá conta que “estava tão longe” que nem se lembra qual era a cor do sinal quando ele passou, ou se já havia colocado sal. Isto acontece porque, quando estamos muito acostumados a realizar sempre as mesmas tarefas, fazemos automaticamente, sem precisar pensar conscientemente, ou seja, sendo capazes de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Assim também no consultório, enquanto o paciente está deitado na cadeira conscientemente para ser tratado, uma outra parte de sua mente, o inconsciente, pode levá-lo a qualquer lugar e ele nem se dar conta que seu tratamento já foi realizado. JPF: Em quais momentos você usa a hipnose em seu tratamento? Rafaella: Na odontologia tem sido de grande valor nos casos de ansiedade e tensão, vômito durante moldagens, medo de anestesia e agulhas, e em alguns casos pode até substituir a anestesia química. Serve também para ajudar pacientes a melhor se adaptarem a aparelhos ortodônticos e aceitarem melhor o uso de próteses; na motivação à escovação; e também pode ser usada para combater hábitos nocivos como roer unhas, chupar bico e dedos, apertar ou ranger dentes à noite e em muitas outras questões, inclusive tem ajudado a fumantes quando desejam parar de fumar. JPF: Quais as indicações para o uso da hipnose na odontologia? E existem contraindicações? Rafaella: A hipnose não realiza milagres, mas é uma técnica muito útil, que pode ajudar as pessoas nas suas dificuldades e receios. Não existe nenhuma contraindicação porque a pessoa hipnotizada mantém o controle de toda situação, fazendo somente aquilo que quer ou para o qual se sente preparada. Durante o transe, sempre é mantido algum nível de consciência. Já quanto a pessoa irá se relaxar, dependerá de sua vontade interior e do treinamento, porque cada vez que se repete um exercício mais fácil é repeti-lo novamente. JPF: Como tem sido a aceitação deste novo trabalho por parte de seus pacientes? Rafaella: Assim como eu, a maioria das pessoas, quando ouvem falar em hipnose pela primeira vez, logo lembram em algum tipo de show de teatro ou filmes na televisão, onde seres místicos hipnotizavam os mocinhos contra vontade e os submetiam a todo tipo de humilhações ou os levava a cometer coisas que, em sã consciência, não o fariam. Nestes casos a hipnose era conduzida por meio de pêndulos, onde se ouviam os dizeres: “Você está com sono... muito sono...”. Mas, depois de conhecer um pouco de sua história, facilmente se percebe que na verdade a hipnose é um instrumento que, nas mãos de profissionais sérios e devidamente habilitados para tal função (como dentista, médicos e psicólogos), contribui enormemente para melhor realização do trabalho. E, logo que os pacientes conhecem a seriedade e eficiência do trabalho, simplesmente adoram. Além do que, é bom que se saiba, o uso da hipnose na odontologia é regulamentado pelo Decreto-lei nº 5.081; artigo 6º; item 4, legalizado em 24/08/76 e diz: “Compete ao cirurgião-dentista empregar a hipnose, desde que comprovadamente habilitado, e quando constituir meio eficaz para o tratamento”. JPF: E os resultados têm sido bons? Rafaella: Têm sido surpreendentes! É incrível o poder que a mente das pessoas possui, o poder da vontade que transforma tudo. Afinal, se você não mudar, nada muda. JPF: Para desmistificar um pouco: Há pessoas que têm medo da hipnose, por acreditarem que podem fazer coisas que não querem fazer e acabariam sendo forçadas, ou de serem hipnotizadas sem saberem ou contra vontade... Fale um pouco sobre isto. Rafaella: Realmente a hipnose sempre foi cercada por uma névoa de misticismo e muitas mentiras sempre foram ditas sobre ela, e algumas dúvidas sempre pairam no ar quando o assunto é citado. As principais dúvidas e receios que as pessoas me relatam são as seguintes: “O Hipnotizador tem poderes especiais”. Claro que não, pois é a própria pessoa que se hipnotiza (o profissional só dá as orientações necessárias). “A pessoa hipnotizada fica a mercê do hipnotizador”. Isto também é mentira, pois, como você sabe, a pessoa em transe só faz aquilo que quer ou que combinou previamente. “A hipnose pode ser prejudicial à saúde”. De forma alguma. Em mãos adequadas ela só pode ajudar. Afinal, quem se sente mal ao se sentir mais tranquilo? “A hipnose pode fazer alguém revelar seus segredos mais íntimos”. Como você sabe, a pessoa só faz o que quer e, em um consultório dentário, vamos solicitar que o paciente mantenha a boca aberta para que seja atendido; dificilmente ele fala algo. Trabalhar questões internas da pessoa cabe ao psicólogo e não ao dentista. “A pessoa pode não acordar”. Primeiramente a pessoa não está dormindo, está apenas em um estado de consciência alterado, onde se apresenta mais receptiva, menos preconceituosa. E como ela é que se hipnotizou, ela pode sair do transe a hora que quiser ou for solicitado pelo profissional JPF: Aqui em Poço Fundo só você realiza a hipnose odontológica, ou existe algum outro profissional que também esteja envolvido com este estudo? Rafaella: Que eu saiba, apenas eu estou desenvolvendo este trabalho, mas isto em nada impede que seja feito, assim como tem sido feito em outras cidades como, por exemplo Três Pontas, Poços, Varginha e Paraisópolis, onde colegas do meu grupo têm atendido em consultórios de outros dentistas, para que eles possam atender os pacientes que desejem se beneficiar deste trabalho sem precisar necessariamente fazer uma indicação, ou seja, há um trabalho em equipe. O dentista que trabalha com hipnose vai ao consultório do colega para induzir o transe, e o paciente continua se tratando com o dentista que está habituado, aumentando ainda mais o vínculo entre eles.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Filmes - Sugestão do blog

A Marcha dos Pinguins


Uma impressionante saga de amor e vida. E muitas lições


Erick Vizoki 
“O que há no pingüim imperador e em seus domínios no território inóspito da Antártida que nos faz olhá-los maravilhados e de queixo caído? Com certeza, ele é uma das criações mais estranhas da natureza. Esse animal, que na verdade é uma ave, é tão engraçado quanto nobre na aparência”. O texto acima foi transcrito (ou, na linguagem atual, “copy/cole”) do portal Terra, no link Cinema & DVD (http://cinema.terra.com.br/ficha/0,,TIC-OI5592-MNfilmes,00.html). É o lead de uma resenha sobre o documentário franco-americano de 2005, “A Marcha dos Pinguins” (La Marche de L´Empereur). Dirigido por Luc Jacquet, a versão dublada em português traz como “bônus” as vozes de Antônio Fagundes e Patrícia Pillar. Para ilustrar melhor a minha opinião, resolvi colocar o tal lead publicado pelo Terra, como introdução. O texto é creditado à Reuters, não identifica o autor. Certamente, seja lá quem escreveu isso sequer se deu ao trabalho de ver algumas cenas, pelo menos. Provavelmente essa desestimuladora introdução foi inspirada em desenhos animados ou propagandas de cerveja. “Esse animal, que na verdade é uma ave, é tão engraçado quanto nobre na aparência”. Essa “afirmação” está no lead, antes do início do texto, para orientar o leitor. Estaria ótimo se o autor conhecesse qualquer coisa sobre pinguins que fosse além de “Chilly Willy”. Ou se tivesse assistido alguns trechinhos do filme. Em primeiro lugar, é absolutamente desnecessário dizer “Esse animal, que na verdade é uma ave (...)”. Mas até aí, tudo bem. Mas dizer que "(...) é tão engraçado quanto nobre na aparência.”, é inépcia. Eles são simpáticos e bonitinhos, mas não há nada de engraçado nos pinguins imperadores. E sua aparência não é tão nobre. É o maior de sua espécie, mas é uma ave gorda e desajeitada.
O que há neste belo documentário é a homenagem à essência da vida, em suas circunstâncias mais radicais. Os pinguins imperadores talvez sejam as criaturas que vivem nas condições mais adversas e hostis do planeta. Ainda assim, perpetuam sua espécie de maneira obstinada, suportando temperaturas de -60ºC e a fome, por cerca de quatro meses durante o inverno antártico. Narrado quase como um poema, o texto parte do ponto de vista dos protagonistas, os próprios pinguins imperadores. A escolha de Antônio Fagundes e Patrícia Pillar para a dublagem nacional não deve ter sido aleatória. Provavelmente tenha sido em respeito aos narradores originais, tão respeitados quanto eles: Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk (que fazem as “vozes” do casal central e seu filhote, respectivamente), na versão francesa, e Morgan Freeman na versão norte-americana. Para arredondar o status, a produção faturou o Oscar de Melhor Documentário (2006), arrecadou cerca de US$ 122 milhões em todo mundo e é o documentário mais visto na história Brasil e o segundo no ranking nos EUA, perdendo apenas para “Fahrenheit 11/09” (2004). 

Lição de amor 

De minha parte, considero uma produção caprichada, feita mesmo com muita dedicação e empenho. A ideia da narração subjetiva deu o tom “humano” no drama vivido por essas aves. Não que a narração fosse absolutamente necessária para nos comover com a saga dos pinguins imperadores, mas ela a potencializa e nos faz sentir esse drama. A primeira vez que vi algo mais profundo sobre o modo de vida desses pinguins foi na impressionante série “Planeta Terra” (2007), da BBC, no episódio sobre as regiões polares. Fiquei fascinado. A imagem de Chilly Willy dissipou-se totalmente e me dei conta de como somos definitivamente frágeis e fúteis. O sofrimento, o amor à vida e a fidelidade desses animais são de graus tão elevados que fogem à nossa compreensão. A vida e o ciclo de vida dos pinguins imperadores talvez sejam a mais pura lição de amor que podemos aprender.

A família pinguim

Antes de se encontrarem, senhor e senhora pinguim eram absolutamente estranhos e a batalha para se conhecerem foi uma saga. Depois que se conhecem, praticamente se “casam” e um compromisso inabalável é naturalmente firmado. 
Após as devidas “núpcias”, senhora pinguim dá à luz a um ovo e depois dá no pé. O inverno antártico se aproxima e ela não conseguirá suportar. Deixa o rebento aos cuidados do pai e vai embora em busca de alimento e sobrevivência. Por longos quatro meses o senhor pinguim cuida daquele ovo, protegendo-o de um frio insuportável para nós, na ordem de -60ºC, e sem se alimentar. Quando o inverno está finalmente terminando, papai pinguim dá ao já nascido filhote sua última reserva de alimento, que ele guardou nesses meses em seu estômago exclusivamente para esse fim. 
Os dois, pai e filho, morreriam se não fossem as fêmeas. Terminado o terrível inverno, elas voltam para seus pares e filhotes, cada uma com provisões em seu estômago suficientes para o senhor pinguim e pinguim júnior sobreviverem. 
O que mais impressiona nesses animais são os aguçados instintos paternal e maternal. Se os pais suportaram o mais cruel dos invernos para preservar suas crias, as mães, caso percam as suas, lutam para conseguir uma, nem que seja tomando das outras. Dona pinguim fará de tudo para poder ter e criar um filhote. 
“A Marcha dos Pinguins” é um relato real, muito real, do que talvez signifique a vida. Mostra que a dedicação, companheirismo, fidelidade e amor podem existir nas condições mais improváveis. Talvez os pinguins imperadores nos ensinem que ninguém os ensinou a sobreviver e que regras deveriam seguir. Eles existem independentemente de credos, regras e condições mínimas para viver. Suportam sua vida como devem suportar, assumem seus laços e seus papéis e encantam a todos nós. E certamente são melhores que nós. 

A MARCHA DOS PINGUINS 
(La Marche de L'Empereur, França/EUA, 2005) 
Gênero: Documentário 
Direção: Luc Jacquet 
Atores (vozes): Charles Berling, Romane Bohringer, Jules Sitruk (França), Morgan Freeman (EUA), Antônio Fagundes, Patrícia Pillar (Brasil) 
Duração: 85 min 

Trailer http://www.youtube.com/watch?v=0Sv_XfMVQ2g