segunda-feira, 18 de abril de 2016

POLÍTICA

Desta vez foi na cabeça!
Erick Vizoki
Aqueles que gostam de assistir aos programas de auditório que ocupam praticamente todo o domingo em diversos canais de TV tiveram que ficar sem eles no último dia 17/04. Mas não se arrependeram. Foram centenas de abraços para esposas, maridos, filhos, netos, amigos, colegas, falecidos, agradecimentos e pedidos de clemência a Deus durante praticamente todo o dia, em diversos canais. E não faltaram também gargalhadas, brincadeiras, choros, tapas e beijos. Teve até cusparada e presenças de artistas como Sérgio Reis, Celso Russomanno e Tiririca.
Não se enganem, não é um novo programa de calouros e gincanas divertidas. A coisa, apesar de não parecer, foi bem séria.
Numa longa e histórica sessão na Câmara dos Deputados, entrou em votação, por volta das 16h daquele dia, a admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O processo, que durou quase 10 horas, foi transmitido pela TV Câmara e retransmitido por várias emissoras, abertas e fechadas, de todo o País.
O resultado foi o esperado pela oposição: 367 votos oposicionistas contra 137 votos governistas, sendo sete abstenções e duas ausências. Eles declararam, em diversas e rápidas entrevistas logo após a votação, que já contavam mesmo com uma votação entre 365 e 367 votos. Mas o resultado ficou bem aquém do esperado na contabilidade governista, o que talvez explique porque o processo de impeachment esteja embasado justamente nas contas do governo, ruim de cálculo.
Se Lula afirmou que a Polícia Federal não acertou a cabeça da jararaca, e sim o rabo, ao chama-lo para depor na Lava Jato, desta vez o golpe foi certeiro na peçonhenta cabeça de Dilma, que deve ter ficado bastante (ou mais) tonta após as 23h47 do domingo, horário em que a sessão foi encerrada. A cacetada fatal foi dada pelo deputado tucano de Pernambuco, Bruno Araújo, cujo voto nº 367 sentenciou Dilma a se entender, agora, com o Senado.
Em 1931, o agente federal norte-americano Eliot Ness colocou na cadeia o perigoso mafioso Al Capone por crimes de sonegação de impostos, ao invés de seus crimes de tráfico de bebidas, drogas e assassinatos. Em 2016 nossa Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário, em eficiente e inédita ação conjunta, começam a dar fim ao esquema criminoso de poder petista através de um simples dispositivo legal, as tais “pedaladas fiscais”. Em resumo, o processo de impeachment em 2016 é tão golpista quanto as promessas de campanha de Dilma em 2014, como não aumentar juros, controlar a inflação e não mexer nas garantias trabalhistas e nos vencimentos dos aposentados e pensionistas. Ou seja, chumbo trocado não dói.
A derrota do governo foi ainda mais vergonhosa porque o petismo acabou provando do próprio veneno, apesar de jararaca não ser venenosa: foi traído por aqueles que tentou comprar, num gesto agonizante para se salvar. Vários parlamentares, convidados por Dilma para adquirirem produtos em sua biboca de quinquilharias, não ficaram satisfeitos com os mimos oferecidos e acabaram voltando atrás, preferindo confiar mais nas centenas de milhares de votos confiados a eles em 2014.
O que o clamor popular exige é justamente isso: o fim de práticas ilícitas, por parte da classe política brasileira em geral, que tem se perpetuado por décadas e livres de punição. O argumento que “se eles fizeram, nós também podemos fazer” já não é mais convincente e muito menos aceitável pelo povo brasileiro.
Tudo bem, é verdade que quase metade do Congresso Nacional também não é nenhum exemplo de probidade e que o cara que presidiu os trabalhos, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), nem deveria estar lá, e sim na cadeia. Mas esse é o jogo político, e fiel às características da versão brasileira do clássico jogo de xadrez: nesse tabuleiro vence a malandragem, a velhacaria e quem for mais esperto.
Só esperamos que, se derrubada a rainha, o rei procure fazer jogadas que voltem a civilizar a partida e entreter de maneira positiva a torcida.

sexta-feira, 11 de março de 2016

IMPRENSA

A imprensa defendida por abutres


Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, ligado à CUT do PT, sai em defesa do ex-presidente que considera a imprensa seu maior inimigo. (Foto: SJSP/Reprodução)

Erick Vizoki

Não somos Alices, mas parece que vivemos num Brasil que mais lembra o País das Maravilhas. Um mundo distópico, que beira o surreal.
Não bastasse o bombardeio de mentiras e falácias propagadas pela nossa maravilhosa classe política, agora algumas entidades defensoras da imprensa e de jornalistas embarcaram nesse jogo.
No último dia 10/03, a Globo divulgou, através do Jornal Nacional, uma carta em protesto contra os atos de violência a jornalistas e meios de comunicação. O documento está assinado pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), a Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), a Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas), a ANJ (Associação Nacional de Jornais) e o escritório da Unesco no Brasil.
Um trecho que justifica o texto divulgado por essas entidades: “Nos últimos dias, uma sucessão de atos de intimidação e de agressões vem sendo praticada contra jornalistas, no exercício da profissão, e os meios de comunicação. Tais acontecimentos somam-se aos 116 casos de ameaças, intimidações, vandalismos, agressões físicas e homicídios praticados contra os profissionais da imprensa no ano de 2015, e que colocam o país no ranking de quinto local do mundo mais arriscado para o exercício da profissão”.
Tudo muito bom, tudo muito bem, não fosse por um detalhe: A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) não está entre os signatários da carta, assim como seus sindicatos filiados. Mas a matéria divulgada pela Globo citou que a Fenaj, assim como a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) , publicaram nota no mesmo dia, independentemente. Segundo a matéria do Jornal Nacional, a Fenaj “pediu ao Ministério da Justiça que garanta a integridade e o trabalho dos jornalistas com uma orientação às forças policiais para que evitem agressões”. A Fenaj ainda teria reconhecido “o direito de todos os cidadãos de protestar e criticar as instituições do país, inclusive a própria imprensa. E observa que os excessos só interessam aos inimigos da democracia”.

Contradições de quem não poderia se contradizer

Comportamento no mínimo contraditório para uma entidade filiada justamente a um dos grupos que mais agridem jornalistas, que é a CUT (Central Única dos Trabalhadores), tentáculo sindical ligado umbilicalmente ao PT. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo também é filiado à CUT e à Fenaj e declarou, abertamente, apoio ao ex-presidente Lula, o que é, pelo menos em minha opinião, um atentado contra a isenção jornalística. O apoio foi descaradamente publicado no próprio site da entidade sob o título “SJSP apoia frente ampla em defesa de Lula e contra o golpe, convocada pela CUT”.
E as contradições não param por aí. Outro trecho da matéria do Jornal Nacional: “Na última semana, jornalistas da TV Globo e da GloboNews foram agredidos e tiveram equipamentos danificados por militantes petistas. Houve protestos na porta da TV Globo no Rio de Janeiro e em Brasília, promovidos pela CUT. Um grupo jogou ovos e tomates na TV Liberal, afiliada da Globo em Belém. E uma equipe da Band, em Cascavel, no Paraná, foi sequestrada por integrantes do MST”. O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), também é outro tentáculo petista, rotulado de “movimento social”. Um dia antes do sequestro no Paraná (08/03), cerca de 70 integrantes do “movimento social” invadiram a sede do Grupo Jaime Câmara, em Goiânia. O prédio abriga, entre outros veículos, a TV Anhanguera (afiliada da Rede Globo em Goiás) a rádio CBN e o jornal O Popular, segundo informa o site do jornal Correio Braziliense.
Pode até parecer que a Globo é a única vítima das facções petistas, mas os atentados contra jornalistas da Band e de diversos veículos impressos mostram o ódio e a repressão à imprensa patrocinados pelo regime lulopetista.
Ironicamente, o partido do governo publicou em seu jornal estatal online, “Brasil 247”, que apenas sete famílias brasileiras controlam 70% da imprensa no País. Só esqueceram de mencionar que entre essas famílias, pelo menos duas são aliados de primeira hora do governo. A família Sarney, no Maranhão, e a família Collor, em Alagoas.
Assim sendo, está ficando cada vez mais difícil saber no que e em quem acreditar. Definitivamente, a Fenaj, ao lado de seu filiado de São Paulo, se mostram dois dos maiores abutres a tentar controlar a imprensa ao invés de defendê-la, em flagrante favorecimento a quem seria seu maior “desafeto”, o próprio Lula!

“Mas os poços da fantasia acabam sempre por secar e o contador de histórias, cansado tentou escapar como podia: o resto amanhã... Já é amanhã”. (Lewis Carol, em “Alice no País das Maravilhas”)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

EDUCAÇÃO

Doutrinação e patrulhamento ideológico nas salas de aula: uma realidade perigosa

Erick Vizoki

Então vamos lá: eu vivo dizendo que muitos professores universitários (acredito até que é maioria) e até mesmo de ensino médio e fundamental são adeptos da doutrinação e patrulhamento ideológico nas salas de aula. A grande maioria dos professores de história, ciências sociais, filosofia e afins têm orientação ideológica de esquerda, para não dizer comunistas mesmo. E não têm nenhum pudor em enfiar isso a todo custo nas pobres cabecinhas em formação de nossas crianças e adolescentes, tão suscetíveis a "novas ideias". Quero deixar claro que não estou generalizando, que existem também muitas exceções. Aliás, tenho amizade com muitos professores e, ainda bem, todos que conheço não fazem parte desse circuito.
Pois bem, está aí a prova do que eu sempre disse, em matéria publicada no site Spotniks, sob o título "5 exemplos de como a doutrinação ideológica atua na educação brasileira"​.
Fico imensamente triste em ver amigos inteligentes e competentes se submeterem sem questionar à lavagem cerebral praticada nas salas de aula.
Quando era adolescente e estudante do ensino médio, eu também me sentia atraído pelas ideias "esquerdistas", até porque o momento era fecundo para difundir esses ideais, afinal vivíamos numa ditadura militar. Mas eu sempre relembro e divido com os amigos uma experiência que nunca esqueci, que me marcou muito e, principalmente, foi fundamental para eu pegar certa aversão aos radicais de esquerda e a qualquer tipo de radicalismo, inclusive o religioso. Enfim, por causa de um único imbecil, fiquei traumatizado ideologicamente para sempre, o que às vezes me leva até a cometer algumas injustiças.
Tínhamos um professor de história (claro, sempre eles) que era assumidamente de esquerda e comunista marxista (a grande maioria é). Nunca o vi dar um único sorriso ou ser amável e agradável com seus alunos. Vivia com a cara amarrada, uma figura singularmente triste, o estereótipo do comunista revoltado: óculos fundo de garrafa, maltrapilho, com a indefectível bolsa jeans a tiracolo até o joelho, cabelo desgrenhado e cabeçudo.
Certa vez, durante uma aula, quando ele falava sobre militares e criticava a obrigatoriedade do alistamento militar (que, aliás, também não concordo muito), um aluno, que havia servido o exército, fez uma observação que não me recordo agora, mas era no sentido de que ele não pôde fazer nada, pois foi obrigado a se alistar e servir o exército. A resposta do professor ao coitado do aluno: “Bem feito, quem mandou ser ‘reco burro’”?
Isso me revoltou instantaneamente, inclusive porque o colega era muito gente boa e até meio limitado intelectualmente. Era muito querido por todos os colegas.
Desde então tomei verdadeira aversão por adeptos radicais de esquerda e do comunismo.
Nos diversos debates que travo com amigos em rede social, sempre digo isso: que fui imune à doutrinação e patrulhamento ideológico, e ainda sou. E não são amigos quaisquer, são pessoas inteligentes, de boa formação, a maioria leitores contumazes e bem informados. São jornalistas, professores, artistas, advogados, empresários etc. Muitos acham que sou um radical de direita apenas por não compartilhar com suas ideias de esquerda, alguns deles bastante radicais. Mas nem por isso deixo de ser amigo deles. Sou a favor da liberdade de expressão e de pensamento. Sou mais democrático que muitos “esquerdistas” que dizem “defender” a democracia.
A matéria citada no início deste texto é bastante reveladora nesse aspecto e prova que existe, sim, um projeto de imbecilização e doutrinação nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino superior.
Gostaria de pedir aqui a participação e opinião de todos os leitores, principalmente, dos meus amigos professores e jornalistas.

Boa leitura!




quarta-feira, 24 de junho de 2015

COMPORTAMENTO

Intolerância religiosa é crime. Opinar não.

Charge do cartunista Carlos Ruas, da série 'Um Sábado Qualquer'. 
Erick Vizoki

Ok... Tenho recebido algumas indiretas de várias pessoas, no Facebook, muitas críticas, na verdade, dizendo que sou um intolerante religioso... Isso não é verdade, nem de longe. Tenho amigos e parentes das mais diversas religiões, bem diferentes umas das outras, e me dou bem com a maioria deles. Já até namorei com evangélicas, espíritas, católicas, agnósticas...

EM PRIMEIRO LUGAR: não critico os fiéis, de nenhuma religião, mas sim alguns de seus líderes, que usam de má fé para manipular e enriquecer, geralmente, às custas da desgraça alheia.
Há muitos charlatães e enganadores em praticamente todas as religiões. Até alguns monges, que sempre considerei pessoas muito iluminadas, sábias e honestas, já foram pegos em malandragens e falcatruas. Além disso, e não sou só eu que acho, mas a comunidade evangélica é o alvo preferido da maioria dos agnósticos e ateus, e até adeptos de outras religiões, por motivos muito óbvios e claros: muitos líderes evangélicos, pastores, bispos, missionários etc são notadamente sedentos de poder e dinheiro. Prova disso é seu intenso envolvimento na política.
Alguém já ouviu falar em bancada católica, umbandista, espírita, messiânica, ou qualquer outra no parlamento federal ou parlamentos estaduais e municipais? Só existe a reacionária bancada evangélica que, por sinal, é bem grande.
Religião e política nunca combinaram, todos sabem disso. A igreja católica demorou em perceber, mas na Idade Média o Papa tinha poderes de monarca e a igreja católica ditava até a maneira de governar na maioria do mundo conhecido adepto da cristandade. Reis e imperadores geralmente se submetiam às orientações do papado. A Santa Inquisição e as Cruzadas são o lado mais obscuro dessa interferência política.
Tanto poder levou ao racha da cristandade, o que levou ao protestantismo, avô das denominações evangélicas atuais.

EM SEGUNDO LUGAR: as principais críticas recaem sobre minhas impressões e opiniões sobre o próprio Deus. Como já disse, não sou ateu, mas agnóstico. Sei que para os religiosos praticantes não vai adiantar nada eu me explicar, pois a crença em Deus é milenar e existe desde que o Homem deixou de ser um mero pitecantropo. Portanto, sei que é perda de tempo tentar demover crenças e opiniões profundamente inseridas na formação de milhões de pessoas.
Mas o que critico são as leituras sobre Deus. Muitos se acham no direito de fazer e dizer o que quiserem porque Deus está a seu lado e, sendo assim, ele estará sempre com a razão e em seu direito, o famoso "em Deus tudo posso". E há também as incoerências. A própria Bíblia, mais aceita no Ocidente, está cheia de subterfúgios, contradições e irracionalidades. Qualquer argumento contrário ao que está escrito lá será sempre rebatido por outras passagens do mesmo Livro Sagrado. É como uma constituição e legislação de um país: sempre há uma brecha para se justificar ou para se defender. Além disso, uma obra tão antiga, traduzida e retraduzida milhares de vezes, certamente passou por alterações, principalmente tendo em vista o poder da Igreja Católica em centenas de anos.
Por exemplo: em toda Sua perfeição e poder, Ele próprio se arrependeu de Sua criação máxima, o Homem, tentando fulminá-lo por diversas vezes: expulsou do Paraíso seus protótipos Adão e Eva; dizimou totalmente duas cidades, Sodoma e Gomorra, por causa da promiscuidade; inundou o mundo todo (tudo isso segundo a Bíblia) para acabar de vez com a humanidade que não O respeitava; por fim, enviou para a tortura e morte Seu próprio filho, Jesus, para tentar, uma última vez, redimir Sua “amada” criação.

PARA ENCERRAR: como pode um Deus tão benevolente, piedoso, caridoso, compreensível, deixar milhões de crianças, idosos, homens e mulheres sofrerem flagelos de todo tipo sem nenhuma explicação plausível? Peste, fome, guerras, violência, intolerância, racismo, preconceito são características de Sua criação, aquela que foi criada “à Sua imagem e semelhança”. Só isso já é pressuposto para acreditar que Deus não é perfeito. Em muitos casos, muitos religiosos dizem que é “castigo”. Não sou perfeito como Deus para entender como alguém (ou algo) que tem amor infinito pode castigar Sua própria criação.
Então, me perdoem aqueles que me interpretaram mal. Mas vou continuar expressando minhas opiniões sobre a questão. Não vou apedrejar nenhum religioso ou deixar de confraternizar com eles, muito menos ser intolerante. Para mim, pessoas são pessoas, com suas virtudes e defeitos, independentemente de sua orientação religiosa. Mas não vou aceitar que ninguém tente me impor sua crença ou me criticar baseado em suposições de crenças que não acredito.

É isso.

terça-feira, 23 de junho de 2015

POLÍTICA

Mídia ‘golpista’ 1 x 0 PT: pela primeira vez, Lula calça as sandálias da humildade. Ou não?



Lula ao lado do ex-primeiro ministro espanhol Felipe González no seminário promovido pelo Instituto Lula (Foto: Nelson Antoine/AP Photo)



Erick Vizoki

E agora???? Não sou eu quem está dizendo, é o próprio guru da petezada! Num surto de consciência, o ex-presidente Lula faz uma espécie de mea culpa. Só uma espécie, porque em nenhum momento ele faz uso do pronome em primeira pessoa, uma das marcas características de seus discursos narcisistas.
Ao afirmar que o PT perdeu “um pouco a utopia” e que “Hoje a gente só pensa em cargo, a gente só pensa em emprego, a gente só pensa em ser eleito”, o ex-presidente parece reconhecer uma verdade que todo mundo, menos a raivosa e vassala militância petista, já reconheceu há muito tempo.
No entanto, joga a responsabilidade nessa mesma militância e nos políticos profissionais do partido que fundou. Mas, claro, não poupa as manjadas críticas à ‘imprensa golpista’. “Em alguns jornais, eles fazem oposição pelo editorial. Ao invés de brigar com isso, temos que melhor saber usar a internet, melhor saber usar as redes sociais”, disse. Não entendi muito bem o que ele quis dizer com isso, se é para a militância maneirar nas ofensas a tudo o que é anti-PT ou se é para intensificar os ataques ao que ele chamou de ‘grande mídia’. Enfim, é Lula sendo Lula.
O ‘pito’ foi dado aos integrantes e simpatizantes do partido durante um seminário em seu instituto, em São Paulo, que aconteceu na última segunda-feira (22/06), e que teve como convidado o colega socialista (e de corrupção), o ex-primeiro-ministro da Espanha, Felipe González, cujo partido a que é filiado, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), também amargou denúncias de corrupção. González foi convidado para tentar ensinar aos petistas como fazer para recuperar a credibilidade do partido congênere brasileiro. Bastante oportuno, uma escolha acertada, creio eu. Certamente, o sujeito tem muito que ensinar, já que seu PSOE conseguiu retornar ao poder após nove anos de letargia, ou quiçá, exílio político em seu próprio país, quando José Luis Zapatero foi eleito primeiro ministro em 2004.
A declaração de Lula, à primeira vista, parece mesmo uma admissão de derrapadas na condução dos rumos do PT desde a chegada ao poder em 2003. Só que não. O discurso só foi coerente com a palestra então por vir do colega espanhol.
Prova disso foram as dispensáveis críticas á imprensa brasileira que, aliás, deveriam ser também estendidas à imprensa internacional, para ficar dentro de seu contexto.
O fato é que a situação do Partido dos Trabalhadores chegou a patamares insustentáveis de reprovação, mesmo dentro da própria sigla, o que foi fartamente divulgado por toda a imprensa, nacional e internacional. Quadros históricos, importantes, fundadores e até mesmo competentes do partido decidiram jogar a toalha e preferiram saltar do navio em flagrante situação de naufrágio. Não há mais nenhum membro fundador do longínquo PT do início dos anos 1980 agora na agremiação. O sentimento de grande parte da legenda é de que algo precisa ser feito, urgentemente.
Resta saber, então, como será o novo comportamento da militância virtual, nas redes sociais, após estas surpreendentes declarações do papa petista. Militância que sempre reverenciou qualquer palavra e ideia que saísse da cabeça de seu líder. Para mim, das duas, uma: ou o constrangimento tomará conta dos simpatizantes e seguidores petistas, ou Lula poderá ser, a partir de agora, considerado um traidor.

Vamos esperar.