sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cinema

Toy Story 3: me desculpem, somos pioneiros, mas eles têm dinheiro e talento Animação da Disney/Pixar trata brincadeira de criança como gente grande

Erick Vizoki O que os inventores norte-americanos irmãos Wright e “Toy Story” têm em comum? Os dois são uma balela americana. Tanto os primeiros como o segundo viraram mitos americanos de pioneirismo. Os irmãos Wright são considerados pelos seus compatriotas os pais da aviação, os primeiros homens a colocarem nos céus um artefato mais pesado que o ar, os inventores do avião. O resto do mundo sabe que não é verdade, que o mérito foi do brasileiro Santos Dumont. O lendário 14 Bis decolou por conta própria em 23 de outubro de 1906, enquanto o vôo dos Wright nunca foi registrado, a não ser por eles mesmos, em diário próprio, por volta da mesma época. A animação da Disney/Pixar “Toy Story” (1995) foi aclamada, em seu lançamento, como o primeiro longa-metragem produzido totalmente com tecnologia digital, hoje conhecida como animação computadorizada, ou CGI (Computer Generated Imagery). O resto do mundo não sabe, mas não é verdade. E isso graças aos brasileiros, que nunca souberam valorizar os talentos que têm. O primeiro longa-metragem totalmente computadorizado foi produzido no Brasil e se chamou “Cassiopéia”, dirigido por Clóvis Vieira, e foi lançado em abril de 1996. Só que sua produção começou em janeiro de 1992. A partir de janeiro de 1993 foi iniciado o processo de animação. O trabalho de geração de imagens terminou em agosto de 1995. A trilha sonora foi completada em dezembro de 1995. A primeira cópia ficou pronta em janeiro de 1996. Só que não dá pra comparar uma produção feita por uma equipe de três diretores de animação e onze animadores, trabalhando em 17 microcomputadores 486 DX2-66, que custou “apenas” US$ 1,5 milhão, e que levou quatro anos para ser produzido, com uma produção da Disney e da então iniciante Pixar, que investiram US$ 50 milhões quando souberam da produção brasileira. Qual a diferença entre os irmãos Wright e “Toy Story”? “Toy Story” decolou, por conta própria. Preconceitos à parte Apesar de tudo, a primeira aventura da turma de Woody e Buzz Lightyear tem só méritos. Não é porque foi uma superprodução, para a época, que é apenas deslumbre e entretenimento. E não é à toa que a Pixar se consagrou como produtora de ponta de animações computadorizadas. Este “Toy Story 3” (idem, EUA, 2010), que teve lançamento mundial no dia 18 de junho, é tão maravilhoso quanto o longa que deu origem à trilogia (que não estava programada, diga-se de passagem). Desconsiderando-se o falso pioneirismo da animação puramente computadorizada, o argumento e roteiro encantam a todos, das crianças que, se não entenderam a mensagem do filme, pelo menos se identificaram, aos ex-crianças que dormiam abraçados com seus brinquedos na cama. Passaram-se quinze anos desde o primeiro episódio e a nova, e anunciada última sequência, respeitou a linha do tempo. Agora Andy, o dono dos brinquedos entre os quais Woody era o mais querido, seguido pelo astronauta Buzz Lightyear, é quase um adulto a caminho da faculdade e já não curte mais essas coisas de criança. Não que perca a doçura e a fantasia, mas ele cresceu, como todos nós crescemos. Não quero me estender fazendo a sinopse do filme, pois acredito que todos já estão fartos de saber, afinal marketing é o que não falta para uma produção cinematográfica candidata a recordes de bilheteria. Candidata vencedora, deve-se acrescentar. Em seu lançamento, nos EUA, “Toy Story 3” liderou as bilheterias nas 4 mil salas em que foi exibido e conquistou o maior faturamento da Pixar: US$ 109 milhões num único fim de semana. No mundo todo, segundo a revista estadunidense Variety, a produção abocanhou US$ 153,8 milhões. O último maior êxito da produtora foi “Os Incríveis” (2004), que faturou US$ 70,5 milhões. Assim, mesmo passados quinze anos, e aqueles que assistiram o primeiro filme eram ainda crianças ou adolescentes, não deixarão de se encantar, pois esta nova aventura foi feita e pensada também para adultos. Tem até passagens meio sombrias, de suspense, e até tristes (mesmo), mas entremeadas com o já consagrado humor da franquia. Há referências em várias críticas especializadas ao clássico “Os brutos também amam” (1953), por causa da sequência final. Enfim, uma trilogia concluída com chave de ouro, onde cada episódio vale a pena, em uma sequência que faz sentido e que respeita a inteligência e o bom gosto do público. Seja de que idade for. SERVIÇO Toy Story 3 (Toy Story 3, EUA, 2010) Gênero: Animação Direção: Lee Unkrich Elenco (vozes): Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Ned Beatty, Don Rickles, Michael Keaton CURIOSIDADES • Em 15 de janeiro de 2010, o último dia para muitos das 58 pessoas da equipe de animação, o diretor Lee Unkrich liderou uma mini-marcha pelo estúdio composta de duas caixas, dois bumbos, dois macacos gigantes e um Yeti. • 17 animadores de Toy Story 3 também trabalharam na animação de Toy Story 2. Quatro animadores trabalharam na animação de todos os três filmes de Toy Story. • 92854 storyboards foram desenhados durante a produção e, deles, mais ou menos a metade (45516) foram levados ao departamento editorial. O departamento transformou esses storyboards em oito diferentes seleções que foram mostradas para especialistas enquanto o filme estava em desenvolvimento. • Há 302 personagens ao todo no filme. • Há mais de 300 adesivos no quarto de Andy. • Algumas peças de arte penduradas nas paredes do quarto de Andy foram criadas pela coordenadora de arte de Toy Story 3, Erin Magill, quando estava no colégio. • No mural de Andy, encontramos um cartão postal de Carl e Ellie, do longa-metragem “UP: Altas Aventuras“. • Andy tem um pôster pendurado em uma das paredes do seu quarto onde se lê “P.U.”. P.U. quer dizer Pixar University (Universidade da Pixar), um programa de desenvolvimento profissional para os funcionários do estúdio. • Os alfinetes no mapa do quarto de Andy correspondem às cidades natais dos membros da equipe de Toy Story 3. • Em cima do armário de Andy há uma placa da W. Cutting Blvd., a rua onde se localizava a sede original da Pixar. • Escondido no quarto de Andy, há uma dica para um novo personagem de Carros 2, que será lançado no próximo ano. Veja o cartaz dois cartazes de carros que aparecem no filme, que podem ser do personagem Finn McMissile. • Falando em Carros, um dos garotinhos da creche Sunnyside veste uma camiseta que faz referencia ao personagem Relâmpago McQueen. • Além da referencia ao personagem Relâmpago McQueen, durante o filme encontramos mais dois personagens de Carros e um de Procurando Nemo. • Um dos adesivos no quarto do Andy faz referencia ao animado da Pixar Animation Studios, “Newt“, que foi cancelado recentemente. • Vocês notaram a marca das pilhas do Buzz Lightyear? Elas são da Buy n Large, mesma empresa que que criou o robozinho WALL•E. • O número A113, que se refere à sala onde John Lasseter, Brad Bird, Pete Docter e Andrew Stanton estudaram na CalArts, aparece em todos os filmes da Pixar. Apesar dos anos que se passaram, a mãe de Andy não mudou a placa do seu carro, que permanece A113. Porém, Em Toy Story 3, a mãe de Andy tem uma nova placa onde se lê “Tiger Pride,” que se refere a Chagrin Falls, Ohio, cidade natal do diretor Lee Unkrich e do seu mascote do colégio, Tiger. • O caminhão do Pizza Planet, que fez a sua primeira aparição no Toy Story original, já apareceu em quase todos os filmes da Pixar. Ele também aparece em Toy Story 3, proporcionando uma passeio atribulado a alguns brinquedos. • Sid, o garoto que gostava de destruir seus brinquedos em Toy Story cresceu e também faz uma aparição em Toy Story 3, usando a sua famosa camiseta de caveira. Sid é dublado por Erik Von Detten, de 27 anos, que dublou o mesmo personagem aos 13 anos no primeiro filme. Fonte: www.planetadisney.net Assista ao trailr de “Toy Story 3” http://www.youtube.com/watch?v=NzcdlwrztE8&feature=related

terça-feira, 8 de junho de 2010

CINEMA

De Robin em Robin chegamos a mais um...
Ridley Scott inova e se antecede à lenda do (ainda não) ladrão de Sherwood


Erick Vizoki

Robin Hood é um daqueles personagens que ficam no imaginário popular e acabam recebendo as mais variadas interpretações e adaptações até mesmo no cotidiano de muita gente.

A lenda do habilidoso arqueiro que roubava dos ricos para dar aos pobres, criada no século XIII e que vivia na floresta de Sherwood até hoje é influência e motivo de justificativa até para péssimas atitudes (como tirar algo de alguém só porque ele tem sobrando...).

O Robin Hood das telas já foi uma raposa em animação da Disney, um gângster de Chicago vivido por Frank Sinatra, uma moça (!), uma criança japonesa (!!) e até um ladrão que vivia no espaço (!!!).

Agora a lenda do arqueiro mais famoso de todos os tempos volta às telas de cinema na pele do ator neozelandês Russel Crowe, em sua quinta parceria com o diretor inglês Ridley Scott. Tanto ator como diretor têm uma respeitável folha de serviços em Hollywood. O primeiro já abocanhou um Oscar de Melhor Ator por Gladiador (2000) e foi indicado por mais dois papéis em O Informante (1999) e Uma Mente Brilhante (2001). O segundo é responsável por produções marcantes, entre elas Alien, O Oitavo Passageiro (1979) e o cult Blade Runner, O caçador de Androides (1982), além de Thelma e Louise (1991), 1942 – A Conquista do Paraíso (1992), Gladiador (2000), e Hannibal (2001), entre outros. O filme conta também com nomes como Cate Blanchett, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em O Aviador (2005), e do sempre ótimo Max von Sydow, no papel de Sir Walter Loxley, uma de suas melhores atuações em muitos anos.

Como não podia deixar ser, Ridley Scott privilegia as (ótimas) cenas de ação e a direção de atores, mas também faz questão de impor sua marca. Assim como em Gladiador, o diretor se vale do contexto histórico para contar uma história possível, apesar de ser uma lenda.

Em Robin Hood (Robin Hood, EUA/Reino Unido, 2010), Robin Longstride (Crowe) é um arqueiro no exército do rei Ricardo Coração de Leão. Um acaso o coloca de posse da coroa do rei morto e da espada de um de seus cavaleiros, Robert Loxley, que ele promete devolver ao pai deste, Walter (Max von Sydow). A devolução de uma espada valiosa, que poderia muito bem ter guardado para si, fará com que Robin se veja numa situação singular: a pedido de Walter Loxley, vai se passar por seu filho e, portanto, também por marido da viúva de Robert Loxley, Lady Marion (Blanchett). Ali, Robin descobre sua própria história e, com a ajuda de Loxley, relembra a morte prematura de seu pai. A descoberta da trágica história de sua família faz surgir os primeiros lampejos do que viria a ser o mito. Entretanto, esqueçam o Robin Hood da Disney e de Errol Flynn, aquele simpático e “honesto” ladrão vestido de verde ao lado de seus alegres companheiros João Pequeno e Frei Tuck, às voltas com pequenos roubos na floresta de Sherwood. O personagem interpretado por Russel Crowe é inserido meio que na realidade de uma Inglaterra da Idade Média miserável, saqueada por um monarca ambicioso e influenciável, o Príncipe João Sem Nome, que cobra impostos imorais e que sofre por causa da corrupção de um xerife tirânico.

Nesse contexto, o diretor insere o personagem fictício em fatos reais: Robin terá papel decisivo na derrota de uma força francesa que chega por mar, um episódio que realmente aconteceu no fim do século XII e no qual, é óbvio, o arqueiro jamais teve alguma participação. Percebemos, então, que o Robin Hood de Ridley Scott não tem muito a ver com os outros “Robins” fartamente explorados nas telas (apesar de algumas “bizarrices”, conforme relação abaixo). Nesta produção, o personagem ainda não é o famoso ladrão.

Mas o filme termina no exato momento em que ele se torna um fora da lei e finalmente começa a criar seu grupo de “alegres camaradas”. Fica clara a brecha para uma continuação, que pode acontecer ou não. Isso deve depender da resposta do público. Nesse caso, o diretor já tem preparado para Robin outra interferência na história dos ingleses: o ladrão de Nottingham é quem forçará o rei João a assinar a Magna Carta, o que na verdade ele fez, em 1215, para aplacar uma nação à beira da guerra civil.

SERVIÇO
Robin Hood (Robin Hood, EUA/Reino Unido, 2010)
Gênero: Aventura
Direção: Ridley Scott Elenco: Russel Crowe, Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong
Duração: 148 minutos
Faixa etária: 12 anos

Assita ao trailer de Robin Hood

http://www.youtube.com/watch?v=EZU1AfNDGds

Os vários Robin Hood

- Robin Hood and His Merry Men (1908)
Primeira aparição do rei dos ladrões nas telas, hoje é considerado um filme perdido.

- Robin Hood (1922)
Filme mudo estrelado por Douglas Fairbanks, foi uma das produções mais caras da década de 20. O primeiro filme a apresentar o arqueiro como o conhecemos hoje.

- The Adventures of Robin Hood (1938)
As Aventuras de Robin Hood, estrelada por Errol Flynn, é uma das mais conhecidas adaptações do rei dos ladrões. Recebeu 3 Oscars (Melhor Direção de Arte, Montagem e Trilha Sonora Original), além de ter sido indicado ao prêmio de Melhor Filme.

- The Story of Robin Hood and His Merrie Men (1952)
Walt Disney não podia ficar de fora e, em 1952, lançou a primeira versão Disney sobre o rei dos ladrões, um musical estrelado por Richard Todd.

- Robin and the 7 Hoods (1964) A primeira adaptação de Robin Hood fora de seu contexto lendário, o (anti) herói agora está na Chicago da década de 30 e é interpretado por Frank Sinistra. Gangues de rua, gansters e violência. Obviamente, trata-se de um musical.

- Rocket Robin Hood (1966-1969) Provavelmente a maior bizarrice com a grife Robin Hood. Uma série animada canadense em que Robin Hood vive no espaço sideral. E ele se chama isso mesmo: Rocket Robin Hood.

- Robin Hood (1973) A adaptação mais conhecida da lenda britânica, a animação da Disney marcou a infância de muita gente e popularizou definitivamente o personagem no mundo todo. Foi o segundo longa animado feito depois da morte de Walt Disney, no período de menor criatividade da história do estúdio. O filme sofreu com um orçamento muito baixo, o que obrigou os animadores usarem cenas já existentes de outros clássicos Disney para compor algumas sequências de Robin Hood.

- Young Robin Hood (1991-1992) Série animada produzida pela dupla Hanna-Barbera. Não é muito conhecida nem muito boa, mas vale o registro.

- Robin Hood no Daibōken (1990-1992) Outra esquisitice da relação: um anime (animação japonesa) sobre o rei dos ladrões! A série possui 52 episódios e apresentava Robin como uma criança.

- Robin Hood: Prince of Thieves (1991) Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões, estrelado por Kevin Costner, é um daqueles ame ou odeie. O filme fez bom sucesso de público, mas não agradou muito a crítica. Entre os méritos estão as ótimas atuações de Morgan Freeman e Alan Rickman e pela famosa sequência da câmera na flecha.

- Robin Hood (1991) Concorrente de baixo orçamento do blockbuster citado acima, essa adaptação não é muito conhecida, mas vale ser lembrada. Conta com Patrick Bergin e Uma Thurman (!) no elenco e mostra uma história um pouco mais realista da lenda de Robin Hood.

- The New Adventures of Robin Hood (1997-1998) Série contemporânea e nos mesmos moldes de Hércules: A Lendária Jornada e Xena: A Princesa Guerreira. Teve 52 episódios, dois atores interpretando o protagonista e não conseguiu tanto reconhecimento.

- Princess of Thieves (2001) Filme para TV que trazia Robin Hood como uma garota, interpretada por Keira Knightley, muito antes de se tornar pirata e conhecer Jack Sparrow.

- Robin Hood (2010) E finalmente, os parceiros de Gladiador se juntam novamente para trazer uma "nova" história de Robin Hood para as telas. Fonte: Blog Isto Era

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CINEMA


Em 3D, “Fúria de Titãs” deixa público furioso Produção é refilmagem de clássico dos anos 80 e volta mais violento e sombrio
Perseu enfrenta a mitológica Medusa, que tinha serpentes na cabeça e olhar literalmente "petrificante".

Erick Vizoki 
Quem já tem por volta de 30 anos de idade, provavelmente assistiu, seja no cinema ou na velha Sessão da Tarde, “Fúria de Titãs” e, provavelmente, nunca esqueceu. O filme de 1981, apesar dos pesares, foi alçado à categoria de clássico, mesmo que quase não merecesse (o “quase”, explicarei mais adiante). O remake do épico mitológico grego estreou na sexta-feira 21, em circuito nacional. 

A história de “Fúria de Titãs” (Clash Of Titans, EUA/Reino Unido, 2010) segue a mesma linha de seu antecessor: Perseu (Sam Worthington), filho do deus Zeus (Liam Neeson), é criado entre os mortais e tem sua família consumida por Hades (Ralph Fiennes), o deus do inferno. Assim, Perseu inicia sua batalha contra os deuses, se unindo a Io (Gemma Arterton), sua guia espiritual, ao guerreiro Draco (Mads Mikkelsen) e ao rei-fera Acrisius (Jason Flemyng), na tentativa de salvar sua amada Andrômeda (Alexa Davalos), que deverá ser sacrificada para que os deuses do Olimpo não enviem o terrível monstro Kraken para destruir a cidade de Argos. Dirigido por Louis Leterrier (“O Incrível Hulk”), a produção da Legendary Pictures para a Warner Bros. tenta o que todo remake tenta: superar o original, com promessas de mais ação, mais efeitos especiais e de adequar a obra aos dias atuais. Tudo isso sempre com as melhores intenções, dizem roteiristas, diretores e produtores. 

No quesito ação, efeitos especiais e belas cenografias, o público está bem servido. Como no original dirigido por Desmond Davis, este também deverá ter bastante futuro nas futuras “Sessões da Tarde”, com as novas telinhas HD. Para garantir (ou pelo menos tentar) uma adaptação mais ao gosto da geração “Mortal Kombat” e “Senhor dos Anéis”, o roteirista escolhido foi o novato Travis Beacham, que está entre os que prometeram um tom mais sombrio à reedição do clássico de 1981. 

Mas o filme, por falar em deuses, comete seus pecados. O maior deles é trocar talento e dedicação cinematográfica pela avalanche, cada vez mais comum, de efeitos visuais impressionantes, muito movimento, bastante gosma e os indispensáveis clichês do tipo “não encarem a vadia!”, na sequência onde os heróis enfrentam a mitológica Medusa. E há outro agravante, ainda maior, mas aí a culpa pode ser da megaprodução “Avatar”, que foi concebido para ser exibido em 3D, mas que se deu bem também na versão 2D: Leterrier fez o caminho inverso, produzindo o filme em 2D e depois, devido ao assombroso sucesso do filme de James Cameron, o converteu para 3D, e nesse tipo de exibição deixou o público fulo da vida com o péssimo resultado. Por isso, prefiram a versão tradicional, em 2D, para não passarem raiva. 

Na atuação, à frente do grupo dos bonzinhos está Sam Worthington, o carismático alien azul de Avatar, em mais uma interpretação insossa. Os únicos dois nomes que teriam chances de salvar o filme da negligência total, em termos de boa atuação, seriam Liam Neeson (“A Lista de Schindler”) e Ralph Fiennes (“Harry Potter e o Enigma do Príncipe”), atores experientes que não foram bem aproveitados pelo diretor Leterrier. Enfim, nunca será um clássico como a água da fonte em que bebeu. 

Fim de uma era, começo de outra

 
As lendárias criações de Harryhausen: à esquerda o ciclope de "A 7ª Viagem de Sinbad"; à direita, a famosa sequência de luta com esqueletos em "Jasão e o Velo de Ouro". 

Chegamos às inevitáveis comparações entre remake e original. Se na nova produção falta atuação e sensibilidade, no velho “Fúria de Titãs” (Clash Of The Titans, EUA, 1981) elas transbordavam. Para começar, apenas um nome era suficiente para conjugar gerações diferentes de cinéfilos nas salas escuras: Lawrence Olivier, no papel de Zeus, claro. 

O ator, especializado em papéis shakespearianos, garantia a ida dos adultos apreciadores de bons filmes ao cinema, e o argumento e efeitos especiais traziam a garotada. Além dele, pelo menos mais dois nomes competentes destacavam-se no cartaz do filme e na tela: Ursula Andress (“007 Contra o Satânico Dr. No”), interpretando Aphrodite, e Maggie Smith (atualmente a Profª. Minerva, da série Harry Potter), como Thetis. A trama também envolvia todos os personagens, em um núcleo Zeus-Perseu-Hades. 

Na nova investida, os deuses são quase coadjuvantes. Mas o grande nome, de fato, no filme original, não aparecia na tela. Ele não, mas a sua participação era o verdadeiro espetáculo. Trata-se de um lendário profissional de cinema, o animador especializado na técnica stop motion, Ray Harryhausen. 

A animação stop motion consiste em dar vida a objetos inanimados filmando-os quadro a quadro: para cada segundo de filmagem são necessários 24 fotogramas em sequência para causar a ilusão de movimento. E Ray Harryhausen reinou absoluto em sua época nessa técnica. Nascido em 29 de junho de 1921, ainda criança Ray ficou fascinado pelo trabalho de Willis O’Brien, responsável pelos efeitos especiais de “King Kong” (1933). A partir daí decidiu seguir a mesma carreira e tornou-se o profissional mais requisitado de Hollywood para efeitos especiais em filmes que tivessem criaturas bizarras e monstruosas. 
Entre os grandes filmes que animou estão clássicos como “Jasão e o Velo de Ouro” (Jason and the Argonauts, 1963), “A Viagem de Ouro de Simbad” (The Golden Voyage of Simbad, 1973), e “Simbad e o Olho do Tigre” (Simbad and the Eye of the Tiger, 1977), todos com animações fantásticas para uma época em que a animação computadorizada ainda nem sonhava em existir.

Mas Harryhausen também colocou seu talento a serviço da mediocridade, como em “Mil Séculos Antes de Cristo” (One Million Years B. C., 1966), que também foi exibido na TV com o título “Quando os Dinossauros Dominavam a Terra”. Este filme, apesar de bem feito e com a grife Harryhausen, mostrava duas tribos de homens pré-históricos que lutavam entre si: uma de homens e mulheres morenos, sujos e violentos e outra de pessoas loiras, de olhos claros, limpinhos e bonzinhos. Dada a época, só faltou uma bandeirinha para a tribo loira com os dizeres “Nós somos os ancestrais dos americanos”, e na dos morenos, “Outros”. Além disso, a história colocava homens e dinossauros convivendo na mesma época, numa espantosa barbeiragem arqueológica. 
“
Fúria de Titãs” foi o último trabalho do animador para o cinema. As belas sequências de vôo do cavalo alado Pégaso, a simpática corujinha mecânica Bubo (outro item para atrair a petizada aos cinemas), a sombria Medusa e o monstro Kraken ficaram na memória de crianças e adultos, que se deslumbraram na ocasião, apesar do mesmo roteiro chinfrim e de George Lucas já ter boquiaberto o mundo com sua “Guerra nas Estrelas”. Seu trabalho ainda é reverenciado por diretores como Steven Spielberg, George Lucas, Tim Burton e James Cameron, entre outros. O que faltou nesta “Fúria” de 2010, foi justamente a sensibilidade e a dedicação que existia em um tempo em que fazer cinema também envolvia paixão e talento, mesmo que fosse para puro entretenimento. 

SERVIÇO 
Fúria de Titãs (Clash Of Titans, EUA/Reino Unido, 2010) 
Direção: Louis Leterrier 
Elenco: Sam Worthington, Pete Postlethwaite, Mads Mikkelsen, Gemma Arterton, Alexa Davalos, Ralph Fiennes, Liam Neeson. 
Gênero: Aventura 
Duração: 118 min. 
Distribuidora: Warner Bros.

Assista ao trailer de "Fúria de Titãs"http://www.youtube.com/watch?v=4F9Oc5e4B8oAssista ao trailer de "Fúria de Titãs" (1981)http://www.youtube.com/watch?v=toy7sDPoMKs

sexta-feira, 12 de março de 2010

QUADRINHOS EM LUTO - Em tempo

Seguem as últimas informações sobre a morte do cartunista Glauco Villas Boas.
Me desculpem os seguidores deste blog pela informações ainda confusas, mas estou apenas repassando as informações que estou recebendo dos outros...
Frequentador de igreja teria matado Glauco, diz polícia

Por Marcelo Godoy, Agencia Estado, Atualizado: 12/3/2010 12:45

Fonte: MSN Notícias

Nem tentativa de assalto, nem vingança. O cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni foram mortos, de acordo com a polícia, por um conhecido da família que frequentava a Igreja Céu de Maria, fundada por Glauco e inspirada nos cultos do Santo Daime. Segundo a polícia, trata-se de um estudante universitário de 24 anos. Até agora, a polícia não confirmou a localização do jovem.

O suspeito do crime vive no Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e estava afastado dos cultos há cerca de seis meses. No fim da noite de ontem, ele teria ido ao encontro de Glauco e Raoni. Levava uma pistola 765. Houve uma discussão e o rapaz disse que iria se matar. Pai e filho tentaram demovê-lo da ideia, quando acabaram sendo mortos. Depois de assassinar Glauco e Raoni, o rapaz fugiu em um carro.

Hoje, quando a morte de Glauco e Raoni veio a público, a primeira hipótese é de que se trataria de uma tentativa de assalto praticada por dois homens. Horas depois, foi divulgada a informação de que o boletim de ocorrência do crime indicava a participação de um terceiro suspeito, que estaria no veículo. Uma testemunha reconheceu o suspeito como um frequentador da igreja. A partir dessa identificação, a polícia levantou informações sobre o carro e o endereço do rapaz.

Os corpos de Glauco e Raoni foram liberados no fim da manhã de hoje. A pedido da família, o velório acontecerá em uma cerimônia reservada e o acesso ao público só será permitido no enterro, previsto para amanhã, no Cemitério Gethsemani Anhanguera.

QUADRINHOS EM LUTO

Glauco é morto aos 53 anos durante tentativa de assalto

Fontes: Agência Estado e Globo.com

O cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, morreu na madrugada desta sexta-feira (12/03) após ser baleado durante uma suposta tentativa de assalto na Estrada Alpina, no bairro Jardim Santa Fé, em Osasco, na Grande São Paulo, segundo informações preliminares da Polícia Militar (PM). De acordo com o Hospital Albert Sabin, o cartunista deu entrada no pronto-socorro por volta da 0h30 e morreu cerca de meia hora depois. O filho dele, Raoni, de 25 anos, também foi atingido pelos disparos e morreu a caminho do hospital.

O crime aconteceu por volta de meia-noite. O caso foi registrado no 10º Distrito Policial de Osasco e os corpos do cartunista e do filho já foram encaminhados para o Instituo Médico Legal (IML) da cidade. Ninguém foi preso.

De acordo com informações passadas por uma testemunha à polícia, três homens chegaram à residência do cartunista, no bairro de Santa Fé, zona norte da cidade, em um Gol cinza.

Villas Boas teria sido agredido pelos assaltantes e, ao tentar pedir para que fosse levado para sacar dinheiro e a mulher e os filhos pudessem ficar em casa, foi atingido por quatro disparos.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Raoni também teria discutido com os criminosos e levou outros quatro tiros. O crime aconteceu por volta da 0h30.

Conforme a PM, quando a corporação chegou ao local, os dois já haviam sido socorridos por moradores. Eles foram levados ao Pronto-Socorro Albert Sabin, mas não resistiram aos ferimentos. Os corpos chegaram ao Instituto Médico Legal (IML) de Osasco por volta das 6h45.

Os criminosos fugiram e ainda não foram localizados. A testemunha que presenciou os assassinatos disse que não foi possível anotar a placa do veículo.

O caso foi registrado no 1º DP de Osasco como homicídio simples, mas deve ser investigado pela Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo o advogado da família de Glauco, Ricardo Handro, os dois homens que invadiram a casa do cartunista estavam aparentemente drogados. “Eles não falavam coisa com coisa, estavam aparentemente drogados. Mais que advogado da família, sou amigo de Glauco há 12 anos. Foi uma fatalidade, uma coisa terrível”, disse Handro ao G1.

De acordo com o advogado, os homens renderam a filha do cartunista quando ela tentava entrar em casa. Eles entraram na residência e anunciaram que levariam toda a família. Glauco negociou para que apenas ele fosse levado. Durante a negociação, o cartunista levou uma coronhada no rosto. Ao saírem do local, o filho Raoni voltava da faculdade e se assustou com o pai sangrando e com uma arma apontada para a cabeça. Raoni tentou negociar e neste momento os bandidos deram quatro tiros em Raoni e outros quatro em Glauco. Um dos tiros acertou o rosto do cartunista. A mulher e a filha de Glauco presenciaram tudo.

Carreira

Nascido em 1957, em Jandaia do Sul, no Paraná, Glauco Villas Boas publicou sua primeira tira em 1976 no Diário da Manhã, de Ribeirão Preto. A carreira decolou após ser premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, também em 1976, e na 2ª Bienal de Humorismo y Gráfica de Cuba.

Villas Boas começou a publicar suas tiras no jornal "Folha de São Paulo" de maneira esporádica em 1977 e, em 1984, os desenhos passaram a ser regulares. Criou personagens marcantes como Geraldão, Casal Neuras, Doy Jorge, Dona Marta e Zé do Apocalipse.

Como redator, fez parte do elenco de redatores da TV Pirata, da Rede Globo. Músico, também tocava em bandas de rock.

Dono de um traço marcante e de um estilo de humor ácido e de piadas visuais rápidas, Glauco criou personagens que de certa forma representavam suas próprias experiências na São Paulo dos anos 1980, com referências a sexo, drogas e violência urbana.

Em 1991, participou ao lado de Angeli e Laerte da criação da tira "Los 3 amigos", uma brincadeira do trio de cartunistas com o universo dos filmes de bang-bang e seu retrato dos personagens mexicanos.

Atualmente, Glauco publicava tiras diárias e charges no jornal "Folha de S. Paulo". Seus quadrinhos antigos vinham sendo republicados por editoras como Opera Graphica e L&PM.

Além das tiras diárias publicadas na Folha de S. Paulo, Glauco teve várias coletâneas de suas charges políticas e de costumes reunidas em pocket-books, entre eles “Abobrinhas da Brasilônia (1985)”, “Política Zero (2005)”, “Seis Mãos Bobas (2006)”, entre outros. Também lançou uma revista com o personagem que o consagrou, “Geraldão”, em 1987, pela Circo Editorial. Este blogueiro, declaramente fã do cartunista, esteve presente no lançamento e até ganhou um autógrafo em uma de suas tiras (quando eu ainda era cartunista).

Há anos Glauco morava em uma chácara nas proximidades do Pico do Jaraguá em São Paulo, onde também mantinha um centro de ritual do Santo Daime. Sua opção pela vida na serra em oposição à vida urbana era citada com frequência nas tiras do Cacique Jaraguá. Glauco retratava ainda a violência nas cidades através das HQ do personagem Faquinha.

Em uma entrevista publicada na "Folha de S. Paulo" em 2004, Glauco lamentou a suposta falta de sintonia com as novas gerações. "Meu traço não é bom para retratar o futuro. Corro o risco de não falar a língua da moçada."

Glauco também fez parte da equipe de redatores dos programas "TV Pirata" e "TV Colosso", da Globo.